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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

De Guarapuava para o mundo

Yarê Protzek
Jogador da cidade de Guarapuava vai para o exterior jogar

O Brasil é conhecido como o país do futebol. Seis vezes campeão da Copa do Mundo FIFA, única nação que ganhou esse número de títulos, o país exporta diversos talentos do futebol para outros países. A cada ano, surgem futuros “Pelés” em diversas regiões do Brasil.
Em Guarapuava não é diferente. Daniel Valentim Machado foi surpreendido com o convite para jogar em outro país. Ele, que joga no time Madeirit, neste mês, acertou os últimos detalhes para ir atuar na Suécia no início de 2012.
A família do jogador ficou muito feliz com o convite. “É uma boa oportunidade pra ele, tomara que de tudo certo. É longe do Brasil, então a gente tem que se adaptar, é difícil ficar longe, mas vai ser bom pra ele”, diz Vanderlei Aparecido Machado, pai do jogador. O filho de Vanderlei comenta que é difícil essa mudança, porém, por um sonho vale o sacrifício de ficar longe de todos.
Vanderlei também comenta que o interesse pelo futebol surgiu quando Daniel era criança. “Desde os seis anos ele gostava de jogar. Procuramos levar nos treinos e acompanhar a maior parte dos jogos. Essa é uma ótima oportunidade e vamos investir na carreira dele”.
A rotina de jogador terá algumas mudanças já que a Suécia é um país que se diferencia muito do Brasil no clima, na cultura, na culinária etc. De acordo com o pai do jogador, enquanto estiver jogando lá, Daniel ficará em um hotel, juntamente com outros brasileiros e estudará de manhã, com treinos no período da tarde. Mesmo focando na carreira de jogador, os estudos não serão deixados de lado.
Daniel assinou contrato para jogar no FC Assyriska, durante uma temporada, que dura cerca de oito meses. Ele já jogou em outras regiões do Brasil como no Espírito Santo, no Clube Olímpia de São Paulo e no Serrano de Prudentópolis. “Meus tios jogavam futebol, minha mãe handebol então resolvi começar a jogar”, conta o jogador.
Fárnei Coelho, coordenador da escolinha de futebol em que Daniel treina, conhece Bruno, um dos brasileiros que joga na Suécia. “O bruno que está na Suécia é um amigo meu, e chamei pra ver um jogo da escolinha que sou coordenador. Ele viu o Daniel gostou do futebol e fez esse convite”. Ele também conta que além do guarapuavano Daniel, mais outros quatro jogadores vão ser convidados a jogar na Suécia.

Daniel durante uma partida pelo Madeirit, contra o Rio Branco

O filho de Vanderlei está muito contente com essa mudança repentina. “È muito bom saber que o nosso trabalho tá sendo bem feito. Esforcei-me bastante pra conseguir uma chance dessa, fora do Brasil. Ir pra lá é uma oportunidade muito boa para carreira, além de abrir portas pra quem tá aqui, como o Bruno fez comigo”.
Para o jogador, assim como outros atletas, jogar fora do país é um sonho. “Não imaginei que ia ser assim tão rápido. Eu quero ir pra um time grande, voltar par ao Brasil e quem sabe jogar na seleção um dia”, conta Daniel.
Fárnei acredita que esse intercambio de jogadores é muito importante primeiramente pela cultura que eles vão conhecer. “Jogar uma temporada na Europa faz com que o jogador amadureça muito. A valorização lá, é maior. A diferença de vida que o atleta tem, é uma experiência que o jogador não esquece”.
Em Guarapuava, de acordo com o coordenador, há uma dificuldade dos jogadores se destacarem. “Essa ida direta a Europa vai valorizar bastante esses jogadores, para voltarem e fazerem a carreira aqui, se quiserem”.

Editado por Vinicius Comoti

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Futsal Feminino: dedicação e talento em quadra


Yarê Protzek

O time de futsal ganha espaço no cenário esportivo de Guarapuava


Muitas pessoas acreditam que futsal é um esporte tipicamente masculino. Porém, as meninas do futsal feminino de Guarapuava mostram que esse esporte também é delas. O time, que a cada ano está presente nas competições estaduais e nacionais, é conhecido na cidade pelo talento mostrado em quadra.

Fotos: Yarê Protzek
A equipe adulta possui meninas de Guarapuava e região que querer segui o futsal como carreira.

O treinador Sergio Leocadio Miranda, mais conhecido como Ratinho, acompanha as meninas desde 2005. Ele comenta que de lá pra cá, o time se desenvolveu bastante. “Desde 2005 participamos de competições em nível de federação. Nós tivemos a oportunidade de disputar a Taça Brasil adulto em 2010. Esse ano participamos da Taça Brasil sub 20, entre outros campeonatos”, conta o treinador orgulhoso desses cinco anos de trabalho.

Ratinho explica que em Guarapuava há uma escolinha no bairro Vila Bela para as meninas que se interessam por esse esporte. Lá, as jogadoras começam a treinar desde os 13 anos, já que podem participar do time sub 13, sub 15, sub 17 para chegar à equipe adulta. “Com treze anos a gente já tem competição, é um condicionamento para chegar ao time adulto”.

As jogadoras da equipe adulta variam de idade, a mais velha possui 27 anos e a mais nova 17. Maria Helena Herman, pivô do time, saiu de Francisco Beltrão há cinco anos para jogar futsal em Guarapuava. “Eu vim fazer um teste e o treinador gostou, então comecei a jogar. Mas, desde os seis anos de idade eu jogo futsal. Sempre gostei desse esporte. Eu fui goleira nos primeiros quatro anos e agora estou na linha, de pivô”.

Ao pensar nos anos que joga em Guarapuava, Maria Helena acredita que muitos vêm o futsal como um jogo para homens. “Hoje em dia o preconceito é menor, mas ainda existe. A população acha que o futsal é um esporte masculino”.

Para Ratinho o futsal feminino ganhou muito respeito ao passar dos anos. “As meninas que jogam pelo time são muito respeitadas, mas tem um grande preconceito da mulher jogar futsal ainda. Nós vamos quebrando esse preconceito com o tempo. Hoje, todo mundo sabe quem é que joga por Guarapuava”.

O time de futsal feminino, já conquistou diversos títulos. Em 2007, elas levaram para casa o troféu do Campeonato Paranaense Sub 20. Em 2008, foram campeões do Campeonato Paranaense Série Ouro Adulto e em 2009 ganharam o Campeonato Paranaense Sub 17.

Time sub 15

O time sub 15 se prepara para o primeiro jogo do Campeonato Paranaense.

Tainá da Silva joga pela categoria sub 15 e adora o esporte. “Quero tentar me profissionalizar com o futsal. Quero ser uma jogadora. Eu amo jogar, quando eu to jogando eu to feliz”. Ela conta que no começo, quando contou aos pais que queria jogar futsal, eles pensaram que era ume esporte para meninos, mas hoje apóiam a filha e torcem por vitórias nos jogos.

Durante os dias 25,26 e 27 de Novembro, as meninas da categoria sub 15 participaram do Campeonato Paranaense de Futsal Feminino Sub 15, realizado em Guarapuava. No primeiro jogo, que ocorreu na sexta-feira, contra o time de Paranavaí, as meninas venceram por 2X1. No segundo, empataram com o time de Campo Mourão em 3X3. No sábado, elas enfrentaram o time de Londrina em que perderam por 4X2. Já no Domingo, elas venceram de 7X2 do time de Telêmaco Borba. Devido a esses resultados, o time jogará a final no início de dezembro em local não definido até o momento.

Editado por Vinicius Comoti

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Bicicross guarapuavano conquista bons resultados


Apesar do pouco apoio, equipe local já levou títulos do Paranaense e do Sul-Brasileiro. Além de troféus no Brasileiro e na Copa Internacional na categoria individual

Yorran Barone

Nosso município possui um esporte que vive um paradoxo. Mesmo com o pequeno apoio, principalmente financeiro, o bicicross local surpreende, pois conquista há anos bons resultados, colaborando com a consolidação da prática.

Praticado desde o final da década de 80 na cidade, os competidores já somam vários títulos. Desde 2008, na categoria por equipes, os representantes guarapuavanos foram campeões Paranaenses e do Sul-Brasileiro. No individual, as conquistas citadas adicionam-se ao Brasileiro e a Copa Internacional.

Segundo o presidente da equipe de bicicross, Felipe Maciel, mais conhecido como Paçoka, a prática figura entre as melhores do Paraná, devido à superioridade em relação aos adversários da região. “Afirmo que estamos no topo e batemos de frente com as melhores. Nos últimos anos, vencemos vários torneios”, comenta Paçoka. “Vivemos, certamente, nosso melhor momento”.

Mas, afinal, o porquê do baixo investimento no esporte. Paçoka elenca que a disputa com o futsal e a falta de curiosidade dos munícipes prejudica a divulgação e o interesse pela modalidade. “O pessoal prefere acompanhar o Clube Atlético Deportivo, além de que são poucos os que realmente buscam conhecê-lo”.

Pilotos guarapuavanos na etapa paranaense de bicicross


Possíveis soluções

Visando maior espaço no cenário local, os atletas apontam alguns caminhos. Paçoka destaca que um maior foco na comunicação seria essencial para a divulgação do mesmo. “Acho que falta comunicação. Desde 2008, em todos os anos, somos campeões de algumas etapas, mas poucos ficam sabendo. Os meios de comunicação só nos citam, caso falte espaço nas respectivas edições”.

Outra alternativa reside no apoio financeiro do poder privado. Apesar da colaboração da prefeitura municipal, que fornece o transporte nas competições, o dinheiro ainda é precário, acarretando na perda de importantes torneios. “Este ano não conseguimos competir em campeonatos de nível nacional pela falta de verba. Se as empresas nos ajudassem, certamente estaríamos em melhor posição”, atenta Paçoka.
Transformar a equipe em associação é a terceira proposta. “Esta iniciativa auxiliaria em uma maior arrecadação de recursos, ajudaria pilotos com materiais esportivos, além de possibilitar maior apoio dos poderes públicos e privado”, aponta Giovani Pereira, um dos destaques guarapuavanos do esporte.


Talento local

Nesse grupo, que conta com 30 pilotos entre seis e 46 anos, figura o destaque Giovani Pereira, que já fora bi-campeão Brasileiro, campeão Paranaense, Sul-Brasileiro e da Copa Internacional.
A falta de apoio reflete significamente na carreira do atleta que poderia almejar vaga na seleção brasileira. “Para entrar no selecionado é preciso estar entre os três melhores do ranking nacional. Como não participamos da maioria destas competições, fica quase impossível alcançar o objetivo”, comenta o piloto que não se importa com uma possível mudança para buscar o sonho. “Se recebesse uma proposta de São Paulo ou Minas Gerais iria numa boa. Na maioria das cidades que aderiram à prática, existe centro de treinamentos, maior disputa de competições, além de proporcionar melhora na preparação física”, completa.

Giovani Pereira, bi-campeão brasileiro da categoria Cruiser


Ações

Além da prática esportiva, alguns pilotos trabalham em prol da causa social. Giovani Pereira e Paulino Junior, outro integrante da equipe de bicicross, desenvolvem projeto designado aos alunos da escola especial Anne Sulivan. “O projeto é totalmente voltado para o caráter social, incentivando as crianças a praticar esportes e ao mesmo tempo distanciando-as da violência e das drogas” destaca Giovani, que atua como professor toda sexta-feira, às 10 horas, no parque das crianças.
Quem se interessar pelo esporte ou pretende iniciar a prática, a equipe realiza treinamentos aos sábados e domingos, às 15 horas, também no parque das crianças.

Editado por Giovani Ciquelero

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Jiu- Jitsu, um esporte de equilíbrio

Yarê Protzek

Além de ajudar na defesa pessoal, o Jiu-Jitsu é importante por auxiliar no cuidado com a saúde

Arte Suave, esse é o significado da palavra Jiu-Jitsu, luta marcial praticada primeiramente por monges budistas e depois popularizada no Japão. Comum nos dias de hoje, essa modalidade de arte intercala movimentos de autodefesa com ataque sem o uso de armas e com características semelhantes do Judô, porém, o Jiu-Jitsu se difere no momento em que os lutadores caírem no chão. Nele a luta continua até um dos participantes imobilizarem o adversário, o que não acontece no Judô.


Grupo de jovens guarapuavanos treinando Jiu- Jitsu

Em Guarapuava, há vários grupos que praticam essa arte, inclusive competindo em diversos campeonatos. De acordo com o professor Bruno Pierre, que dá aulas de Jiu-Jitsu há cerca de dez anos, todos os interessados podem praticar o esporte, inclusive crianças. “O treino, para mulher, homem ou criança é praticamente o mesmo, porque na hora que ocorre a luta é sossegado.”
Ele também comenta que o grupo ao qual treina procura participar das competições como uma forma de colocar em prática tudo aquilo que eles aprenderam nas aulas e ver no que precisam melhorar e quais os movimentos que estão aperfeiçoados.
Além disso, para Bruno, o Jiu-Jitsu pode ser usado como defesa pessoal, sendo também, importante para o psicológico, pois “ele dá ao lutador uma autoconfiança, assim a pessoa fica mais calma e tranquila no dia a dia”.
Ricardo Yoshimitsu é um dos alunos de Bruno e diz que sempre achou as artes marciais interessantes, para ele o Jiu-Jitsu é a mais eficiente na defesa pessoal e para exercício físico. “Eu luto há um ano e dois meses, to na faixa branca. Já fui há algumas competições em que acabei ganhando segundo e terceiro lugar”.
Outro motivo que levou Ricardo a praticar essa arte, foi pensar na saúde. Treinando três vezes por semana, o Jiu-Jitsu proporcionou um controle intelectual, moral para o aluno. “É muito importante, é praticamente uma filosofia, temos a parte do exercício físico, do controle mental, estratégia, verificamos o aprendizado, então tenta a chegar a perfeição dos movimentos”.
A personal training, Xênia Saviato, também faz aulas de Jiu-Jitsu. “Eu sempre tive contato com esporte e sempre gostei de luta na verdade, ai achei legal e comecei pra ver e me apaixonei por essa arte”.
Xênia acredita que essa arte, é uma atividade que desestressa e relaxante, quase como uma terapia. “Até minha filha de cinco anos já gosta e quer começar, quando ela tiver uns seis sete anos eu vou colocar ela na aula.” A personal também participou de algumas competições, ganhando medalha de ouro, prata e bronze.
De acordo com a Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu, o aluno de jiu-jitsu passa por um treinamento delimitado por nove cores de faixas: o iniciante usa a faixa branca e o profissional a faixa de cor preta, que seria como o diploma do lutador.


As mulheres também estão presentes em todos os tipos de artes marciais

Editado por Helena Krüger

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Hapkido: aprendendo no tatame


Helena Krüger

A milenar arte marcial hapkido ensina a aproveitar os tombos que a vida nos dá

Hapkido significa caminho da união da força e do espírito, da harmonia. Difícil imaginar que com esse significado trata-se de um esporte de luta. Essa e muitas outras artes marciais pregam muito além do combate. A presença de uma filosofia de vida que baseia a arte faz do hapkido uma atraente forma de se exercitar e ao mesmo tempo proporcionar desenvolvimento pessoal.

O hapkido segue princípios e valores coreanos


Ainda pouco conhecida, a arte marcial de origem coreana, que tem vertentes similares ao aiki-do, tae-kwon-do e ninjutsu, vem conquistando em apenas nove meses em Guarapuava o interesse de muitos jovens. Kleber Horbus, 29 anos, pratica há 21 anos artes marciais e hoje é o único mestre do hapkido na cidade. Kleber é acadêmico de educação física e foi treinado por um dos maiores mestres da arte no mundo, como o coreano Grão Mestre Hong Soon Kang, fundador da Federação Mundial Olímpica de Hapkido (World Olympic Hapkido Federation) - entidade a qual Kleber é filiado e os alunos que treinam com ele também. Depois de muitos anos treinando, o desejo de dar aulas da arte o incentivou a fazer parcerias com as academias de ginástica para trazer novamente o hapkido para a cidade.
Essa arte marcial tem algumas características que a identificam. Primeiramente, ela tem como objetivo a defesa pessoal a partir de técnicas em que se aprende pontos de pressão no corpo que são frágeis, dessa forma não é necessário ter força para lutar, mas sim técnica, como explica Kleber. “O hapkido tem muitas técnicas, mas as mais importantes são as de imobilizações articulares, de desarticulação, de quebrantamento de ossos, ataques a pontos de pressão e desarme de armas de fogo”. Algumas das vantagens de se praticar o esporte, segundo Kleber, são: defesa pessoal, aumento da flexibilidade, melhora da auto-estima, melhora da capacidade pulmonar, da coordenação motora e aumento do consumo de oxigênio. “Os benefícios são muitos, mas talvez um dos principais é aprender a trabalhar em equipe, busco sempre valorizar o grupo como um todo, assim a pessoa se desenvolve no conjunto e aprende a se relacionar e a ter mais auto-estima”.

Rodrigo treina diversas artes marciais, mas se identificou com o hapkido


Além disso, a filosofia oriental repassa grandes valores para quem quer ser esse guerreiro moderno, ao fazer a arte marcial também se conhece um pouco mais da cultura oriental como um todo. Um dos praticantes de hapkido e tae-kwon-do, Rodrigo, com 14 anos, já se apaixonou pelas artes e diz ter gostado muito de conhecer essa nova luta. “Acho muito legal, porque aumenta o nível de disciplina e também aqui ele nos ensina a entender o corpo como um todo, repassando conhecimentos de anatomia”.

Projeto Social
Kleber, além de ser mestre em academias, treina policiais militares e bombeiros, mas também nos últimos meses vem desenvolvendo um trabalho com crianças carentes em um projeto de artes marciais proporcionado pela prefeitura e Secretaria de Esportes. Nessa ação, Kleber treina centenas de crianças e adolescentes e diz ser gratificante fazer esse trabalho. “É muito importante passar conhecimentos e valores através do esporte, essas crianças criam disciplina e aproveitam seu tempo com algo bom”.

A arte marcial é baseada em golpes dos antigos guerreiros coreanos

Editado por Helena Krüger

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Dia a dia no ringue


Luciana Grande

Araripe Boi, um dos melhores lutadores de MMA da região, conta sobre sua carreira no esporte

Araripe Abreu, popularmente conhecido como Araripe Boi, é o lutador de MMA (Artes Marciais Mistas) mais conceituado de Guarapuava. Além de ser o que possui maior número de lutas. Faz parte da equipe “PR Vale-tudo”, que conta com mais de 20 lutadores de diversas categorias, sendo que Araripe faz parte da meio-médio, com 77 kg. Hoje, ele tem 25 lutas e 16 vitórias. É tricampeão paranaense de jiu-jitsu e também tricampeão da copa Toicas Toyota.
Apesar de ser natural do município de Pinhão, o lutador mora em Guarapuava há mais de 10 anos. Hoje está com 33 anos, mas tem contato com a luta desde os 13, quando começou a treinar karatê e judô. No entanto, como sempre gostou de adrenalina, acabou tornando-se lutador de jiu-jitsu e MMA aos 23 anos.
A rotina de treinos é intensa. Logo cedo, o atleta inicia suas atividades, pela manhã Araripe corre, faz natação e musculação. À tarde, treina muay thai, boxe e jiu-jitsu.
Após três anos afastado dos ringues, em consequência de uma lesão no joelho, Araripe voltou em agosto desse ano e conquistou a vitória mais rápida da carreira dele: um nocaute em 43 segundos. Em entrevista, ele falou sobre a trajetória da carreira como lutador e da paixão pelo esporte.

Araripe é lutador de MMA há mais de 10 anos

Como você iniciou sua carreira como lutador?
Com 13 anos, comecei a treinar karatê. Depois de ficar cinco nessa modalidade e chegar até a faixa preta, percebi que não era aquilo que queria. Então comecei a treinar judô, cheguei até a faixa marrom, mas percebi que também não era aquilo que queria. Eu precisava de mais adrenalina.
Aí comecei a treinar jiu-jitsu, relativamente tarde, com 23 anos, em 2000. Era mais intenso, a adrenalina era bem maior, por isso gostei bem mais. No ano de 2000 mesmo, quando ainda era faixa azul, fui convidado pra lutar o MMA, que antes era conhecido como vale tudo.
Eu estreei aqui em Guarapuava lutando contra um adversário de São Paulo e acabei me saindo muito bem, consegui finalizar o cara. A partir de então, o rumo da minha carreira acabou se voltando pro MMA.

E por que isso aconteceu?
A gente que é atleta e vive disso, muitas vezes precisa buscar aquilo que rende mais dinheiro. E hoje em dia, no meio de artes marciais, o que dá mais dinheiro é o MMA. Hoje esse esporte se tornou mais relevante do que o boxe. Nos EUA, ele já está quase ultrapassando o basquete, que é o 3º maior esporte no país. Isso no que se refere à mídia e às apostas, porque nos Estados Unidos eles fazem bastante apostas.

Dessas 25 lutas que participou até hoje, você chegou a se machucar muito em alguma?
Já, com certeza. Mas, na verdade, a gente acaba se machucando mais nos treinos do que nas lutas mesmo, porque é preciso treinar bem forte pra ser mais fácil no ringue. Eu já fiz duas cirurgias nos joelhos, que machuquei durante lutas. Além disso, tive também uma lesão na coluna e outra na cervical. Na verdade, os médicos queriam operar essas lesões, mas eu não quis porque teria que ficar muito tempo parado. Em razão das cirurgias no joelho fiquei três anos sem lutar, voltei esse ano.

E você sente medo às vezes antes das lutas?
Não, nunca. A adrenalina é muito grande, muito intensa. Eu tenho paixão pelo que faço, não vivo sem isso, tenho que treinar todos os dias.

Quando você está no ringue, sente raiva do adversário?
Não, de forma alguma. Você sente que precisa fazer a sua perfeição pra ganhar dele. Na maioria das vezes, fica tudo na amizade, até saímos jantar juntos depois, com as equipes. Já lutei até com amigos. Tem uma história bem legal, eu e meu adversário fomos lutar no Rio Grande do Sul e viajamos 900 km no mesmo carro. Nessa época, existia o campeonato super oito, eram quatro lutadores de um lado e quatro do outro, tudo mata-mata. Aí eu e ele acabamos fechando a final. Na luta, eu quebrei uma costela dele, ele quebrou meu nariz, mas ele acabou vencendo... Então, quando estávamos voltando, viemos um deitado no ombro do outro, dormindo, aí a gente brincava “ah, você quebrou a costela”, e o outro “e você quebrou o nariz” (risos). Mas quando nós fizemos uma revanche aqui eu ganhei dele. Hoje em dia, a gente faz parte da mesma equipe, a Paraná Vale-Tudo.

Dessas 25 lutas que você já participou até hoje, teve alguma que marcou mais por alguma razão especial?
Teve uma luta que foi aqui mesmo, no campeonato Toicas Toyota. Eu lutei apenas um round contra o meu adversário, só que ele me surrou o tempo inteiro. Foram cinco minutos de pisão na cara, no gogó, chutes e socos no rosto... Só apanhei. Aí acabou o round e nós fomos para o intervalo. Eu estava mal, tentando me recuperar pra continuar a luta, aí quando eu já estava me aquecendo para voltar, lá do outro lado ele me olhou e desmaiou, teve uma parada respiratória. Apanhei tanto que acabei ganhando a luta, porque ele ficou cansado de tanto me bater (risos).

Recentemente, dia 20 de agosto, você venceu uma luta em Londrina em apenas 43 segundos. Como foi isso?
Nesse dia, me ligaram às 13h perguntando se eu poderia ir substituir um lutador da minha equipe em Londrina, porque ele não poderia comparecer. Aí eu disse que sim, saí daqui 14h e cheguei lá 18h30. Então, acertamos a substituição e 20h30 eu já tinha que estar no ringue, foi tudo bem corrido. O adversário pesava 85kg e eu 78kg. Mas foi nessa luta que consegui algo inédito na minha carreira: o nocaute mais rápido da noite, 43 segundos, com um soco cruzado. E foi especial porque eu estava parado há três anos, me recuperando de uma cirurgia. E depois de tanto tempo sem lutar foi muito bom voltar com uma vitória brilhante como essa. Foi a adrenalina mais intensa que já senti em uma competição. A plateia foi à loucura.


Araripe logo após a vitória em 43 segundos no K.O. Fight - Gravidade Zero, em Londrina

E foi em razão dessa luta que você foi lutar no Rio de Janeiro mês passado?
Sim, por causa dessa luta fui para o WOCS, no Rio de Janeiro, que é um evento paralelo ao UFC. Lá eu também ganhei no primeiro round, depois de um minuto e quarenta segundos de luta dei nocaute no adversário. Foram duas vitórias seguidas na minha volta ao ringue, esse ano está sendo muito bom para mim.

Qual foi a luta mais difícil da sua carreira, em que você se machucou bastante?
Teve uma luta que foi muito complicada porque eu lutei três vezes na mesma noite. Foi um evento bem pesado em Londrina, eu lutei com um cara que me bateu por nove minutos, e eram 10 minutos de round. Aí eu quebrei o meu nariz, o médico avaliou para ver se eu poderia continuar, então eu disse que por mim voltava e ele deixou. Quando voltei pra luta, consegui me recuperar e finalizar o adversário, quando faltavam apenas dois segundos para terminar a luta. Um pouco depois já fui para outra, com o nariz quebrado, mas também consegui dar nocaute nesse adversário. Então, fui pra próxima luta seguida, quebrado, cansado... Mas também consegui finalizar esse adversário. Foram três vitórias seguidas na noite.

Você também dá aula de jiu-jitsu, certo? Gosta disso também?
Sim, dou aula para pessoas acima de 15 anos. Eu amo ensinar, é legal passar pra outras pessoas as coisas que você sabe fazer, ainda mais quando tem paixão pelo que faz. E meus alunos sempre voltam com títulos quando vão lutar. Tem um que é tricampeão paranaense.

Eu tenho uma curiosidade, que não deve ser só minha, mas que sempre me pergunto: como vocês aprendem a lidar com a dor?
No momento em que a gente está lutando, não sente dor nenhuma. No outro dia você sente, aí sim dói bastante, mas na hora nem vê. Esses dias em um treino eu levei uma joelhada, quebrei dois dentes, levei sete pontos na boca, mas na hora nem senti. Continuei rolando e de repente vi que o tatame ficou lavado de sangue. Mas na hora a adrenalina é bem maior do que a dor. É bem como dizem: “o lutador é imune à dor”.



As várias medalhas e troféus conquistadas ao longo da carreira como lutador


Editado por Helena Krüger