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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Elas estão a nossa volta

Lidar com as diferenças nem sempre é fácil, entender como elas funcionam ajuda a conhecer, aceitar e lidar com isso numa sociedade individualista.

Ellen Rebello


A vida nunca foi fácil para Lucinéia Baltazar da Luz, lutar contra as dificuldades do dia a dia não é a única barreira encontrada pela estudante de psicologia de 29 anos: “Nossa sociedade tem de ser moldada para o deficiente. Meu projeto de trabalho de conclusão de curso é voltado ao deficiente, como a sociedade faz para aceitar e ajudar essa pessoa, que tem suas limitações, mas é capaz de qualquer coisa como uma pessoa normal”.

Anomalia congênita ou defeitos de nascimento são anormalidades físicas, ou seja, a má formação dos membros. A que afeta a estudante de psicologia são os braços que não se formaram corretamente: “Não tem cura ou algo que se possa fazer. Na verdade poderia utilizar próteses, mas quando me aceitei assim, resolvi que não iria passar por mais essa aprovação, as pessoas te olham torto quando vêem você. Sem os braços (próteses) chamo menos atenção”.


Assim as dificuldades são superadas, sem as mãos ela utiliza os pés

Nascida com a deficiência ela já passou por diversos momentos críticos, chegou a tentar até suicídio: “Eu me adaptei desde pequena a lidar com essa situação. Mas teve um momento específico que eu não me aceitava e acabei tomando veneno. Queria acabar com a vida que eu considerava ruim, entrei em depressão. Me revoltei diante das minhas limitações e passei uma semana em coma”.

As coisas começaram a mudar quando Lucinéia passou a fazer tratamento e ver que sua deficiência não era problema, sua aceitação ajudou com tudo. “Fiz tratamento psicológico, eu e minha família. Sempre foram superprotetores, querendo que eu ficasse do lado deles sempre e que eles fizessem tudo por mim. Sabemos que não é assim, apesar de não ter os dois braços consigo fazer tudo que uma pessoa normal faz”.

Lucinéia trabalha normalmente, lidando diretamente com as pessoas

Lucinéia trabalha, faz serviços da casa como limpar, guardar roupas, lavar louça, por isso ela se considera uma pessoa normal: “Eu vou pra balada, me arrumo, faço maquiagem. As pessoas me perguntam como coloco sutiã ou como coloco minha calça. É normal como qualquer mulher faz. Para colocar a calça tenho um adaptador, pro resto eu me viro como dá. Utilizo meus pés para maioria das coisas, passar batom é com eles, a maquiagem em geral é com eles. Mas consigo prender o cabelo, utilizar o computador, atender o telefone. Na faculdade, por exemplo, não tem nada de auxílio, é uma sala como as outras”.

O preconceito é mais uma das dificuldades enfrentadas por ela: “As pessoas olhando de canto, com certo medo ou hesitação atrapalha bastante. A falta de consciência e educação das pessoas é a pior deficiência, não a falta de dois braços. Essas coisas diminuem o cidadão, é horrível, ninguém é melhor ou pior que alguém, alguns se destacam por algumas coisas, mas é só. Eu ainda vejo que há muitas deficiências piores que a minha”.

Com relação as leis que garantem os direitos dos deficientes ela é clara: “Se é meu direito, tenho sim que usufruir. Não há nada de errado nisso. A gente se depara com certas situações um pouco mais complicadas. Outro dia na faculdade mesmo fiz valer esse meu direito de preferência no atendimento, se posso uso sim. Pedi ao atendente que me ajudasse pois é o que está na lei. E não é só isso, as cotas existem para facilitar e ajudar nosso reconhecimento dentro da sociedade e é assim que eu faço”.

Olhando para o passado e também para o futuro Lucinéia se diz feliz: “Já errei muito, acredito que a pior besteira que fiz foi tentar tirar a minha vida, mas hoje sou feliz. Tenho muitos planos futuros: minha casa, terminar a faculdade, viajar. Sonho com minha vida e projeto tudo o que vou fazer. O deficiente pode ter uma vida normal, o maior problema da deficiência é o impacto de primeira que ela causa a sua volta, depois quando começa a se relacionar e conviver com um portador, aquele problema diminui ou até mesmo acaba. E assim tende a ser com todos os portadores, que como eu, tem a necessidade de ser feliz”.

Uma doce princesa

Quem olha nos olhos azuis da pequena Gabrielly não imagina por tudo que a garotinha de apenas 4 anos já passou. Foram dias e dias de muita medicação e preocupação dos pais e de toda família que sofreu com a sua história.

Foto: arquivo pessoal

Aos 4 meses Gabi, como é chamada carinhosamente pelos familiares, tomou uma vacina que trouxe complicações para o resto de sua vida. Para a mãe da menina, Chaiane Junges, a vida é normal, mas com muitas limitações: “Eu acredito em erro medico, tanto que vamos acionar a justiça para ajudar a reparar todas as dificuldades pela qual passamos. Quando ela tomou a vacina teve convulsões, que levaram a uma lesão cerebral. Hoje não vejo dificuldades, mas já passamos por momentos muito difíceis”.

A aceitação em um primeiro momento é complicada mais para os familiares do que pra própria criança que não entende pelo que esta passando: “Ela não passou por um período de normalidade, era muito pequena pra compreender tudo que estava acontecendo. Nós que acompanhamos sofremos mais que ela. Todos os tratamentos sem eficácia, tantas crises, que até hoje ela tem, tudo que ela sofre, sofremos juntos”.

Gabi apesar da pouca idade já sofreu mais do que podemos imaginar, como conta sua mãe: “Teve uma época em que ela precisava tomar morfina pra aliviar a dor. Outros remédios não faziam efeito e ela gritava noite e dia. A morfina fazia ela se acalmar, sentir menos dor e dormir. Eu fico olhando e imaginando tudo que ela sente e que não posso fazer nada. Isso é frustrante pra mim como mãe”.

Desde muito nova Gabrielly toma muitos remédios, alguns deles não estão disponíveis no Brasil e sua família precisa ir até a Argentina para conseguir fazer o tratamento: “Hoje ela tem diagnóstico de epilepsia de alto grau, porque tem crises todos os dias que são controladas pelos medicamentos. Até agora os médicos tem conduzido bem os tratamentos e ela tem se mantido estável, com crises controladas”.

Apesar das dificuldades Gabi tem uma vida de uma criança normal, frequenta escola, ainda não anda, mas brinca como toda criança e é muito alegre: “Percebemos a evolução dela ao passar do tempo. Ela frequenta fonoaudióloga, fisioterapeuta periodicamente. Ela tem um espaço com brinquedos para que fique mais a vontade e consiga se desenvolver melhor. Antes ela não comia, só mamava. Agora ela come sopinhas, papinhas e vitaminas. É um avanço enorme, me emociono vendo ela pegar os brinquedos e sorrir, feliz com o que está fazendo”, conta sua tia Charlene Junges.

Gabi aos poucos recupera os movimentos perdidos devido a lesão cerebral

Os tratamentos a que Gabi é submetida não tem apoio nenhum do governo. Nem mesmo o medicamento que ela precisa existe no Brasil e é bancado pela própria família como diz a mãe, Chaiane: “Ela precisa ir ao médico em Curitiba duas vezes ao ano, mas como é muito caro (cada consulta custa em torno de R$390,00), estamos indo uma vez só. O remédio da Argentina dura três meses e custa R$600,00. Além da viagem, encomendar de lá sai ainda mais caro. É difícil bancar todos os gastos que temos com ela, a gente aperta dali, daqui e consegue administrar com dificuldade, apesar de tudo ainda dá”.

Pegar e movimentar os brinquedos, uma nova conquista na vida de Gabi

A evolução de Gabi tem seu próprio tempo, mas seu desenvolvimento é notório e emociona Chaiane. “Ela tem suas limitações e é mais suscetível a doenças como gripes e viroses. Mas ela tem aprendido mais a cada dia e isso é visível. No tempo dela ela vai voltar a falar, a andar e a brincar. Isso nos deixa felizes e ansiosos também. Queremos ver a mudança para que ela tenha uma vida melhor, que consequentemente reflete em nossas vidas”.

Editado por Giovani Ciquelero

sábado, 26 de novembro de 2011

Manifesto “Nada pode nos calar” clama pelo fim da violência

Helena Krüger

A manifestação contra homofobia reuniu acadêmicos, professores e representantes de entidades sindicais

Ontem (25) às 19h, em frente à praça da Unicentro, cerca de 25 pessoas protestaram contra a violência e a homofobia. A iniciativa para se realizar o evento partiu do acadêmico de secretariado executivo, Willian Nathan de Paula, em conjunto com o Grupo de Discussões Interdisciplinares Homoculturais (GADIH). Segundo Maxmiliam, integrante do grupo, já fazia algum tempo que este protesto estava para acontecer. Willian destacou que um dos propósitos da manifestação é protestar para que crimes contra homossexuais não se repitam em Guarapuava. “Nossa intenção é chamar atenção da sociedade, o manifesto não é só contra a homofobia, mas contra a violência que tem estado muito presente em nossa cidade. É necessário que o preconceito seja rompido”.

O manifesto, que aconteceu no Dia Internacional de combate à violência contra a mulher, não teve faixas, nem barulho, os acadêmicos apenas distribuíram velas para que os presentes acendessem em homenagem as vitimas de diversos crimes violentos que aconteceram em Guarapuava, e pediram um minuto de silêncio. Willian parabenizou os presentes e disse que para manifestar-se não é preciso gritar. “Mesmo numa demonstração silenciosa, estamos aqui expressando dessa forma nossa indignação e mostrando que nada vai nos calar”.

Foto: Helena Krüger

Manifestante com bandeira representando o movimento LGBT

Além dos universitários, a professora Liliane da Costa Freitag também se expressou a favor do movimento em nome do departamento de história da Unicentro, reiterando a importância de reivindicar contra qualquer forma de violência, seja com mulheres, crianças ou gays. Representantes da APP Sindicato também compareceram, para informar sobre a existência de uma secretaria de discussões de gênero e falar da importância de se iniciar nos ambientes de ensino a conscientização. Terezinha dos Santos Daiprai, representante do sindicato durante a manifestação disse que “combater a violência é uma questão de princípio humano. Escolas devem ser laicas, não sexistas e não homofóbicas, só o conhecimento liberta o preconceito”. Emocionada, a sindicalista relembra o caso de morte que aconteceu na cidade no dia 17 de novembro e destaca que Guarapuava tem que evoluir. “Afinal, a escola e a universidade educam e tem um importante papel nesse processo”, alega Terezinha.

Foto: Helena Krüger
Pessoas fazem um minuto de silêncio em homenagem a vítimas de violência

Conforme a Declaração Universal dos Direitos Humanos, “todos somos iguais perante a Lei” este artigo é novamente ressaltado pela Constituição Federal “todos são iguais, sem distinção de qualquer natureza”. Infelizmente, muitas das chamadas minorias culturais, não são tratas com igualdade. Muitas vezes, são alvo de muito preconceito e intolerância. Em nossa cidade, já houve vários casos de agressão envolvendo homossexuais, só neste ano foram 12 mortes no Paraná e 220 no Brasil.

Com intenção de modificar esse quadro, os universitários resolveram dar voz a essa indignação, pois acreditam que a cidade por ser muito conservadora, acaba não reclamando destas formas de preconceito. “Guarapuava ainda é uma cidade de coronéis, uma cidade cristã (nada contra as religiões), uma cidade tradicional, então, o preconceito ainda existe, e de uma forma muito forte aqui.” Maxmilliam também concorda e diz que a sociedade guarapuavana se cala muito fácil em diversas questões, não só com a homofobia. “Não sei porque os guarapuavanos sempre se mantêm tão calados, há muita desinformação”.

Foto: Helena Krüger
Nem mesmo a chuva fez com que os manifestantes desistissem de protestar

O acadêmico de secretariado enfatiza que questões homoculturais e de outras minorias, precisam sair da universidade, para que haja efetivamente um debate público acerca do assunto, havendo assim mais conscientização por parte da população. “Ainda é complicado andar por aqui de mãos dadas com o parceiro do mesmo sexo pela rua, as pessoas olham torto e corre-se o risco até de ser agredido. É necessário que as pessoas entendam que o homossexual não quer ser aceito, não quer ser tolerado ou respeitado, mas que é parte da sociedade, tem direitos iguais a todo mundo.”

Lei contra homofobia

A lei contra a homofobia foi idealizada em 2001, que estabelece como crime, entre outras coisas, praticar ou incitar a discriminação por qualquer tipo de ação violenta, constrangedora, intimidatória ou vexatória, de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica sujeita à pena, reclusão e multa. O que divide opiniões nesta lei, é pelo fato de ser muito rígida e ampla, podendo até mesmo ferir o principio de liberdade de expressão. Ediane Martins, acadêmica de filosofia, diz que não são necessariamente as leis que modificam a sociedade. “Acredito que não precisaria existir leis para questões básicas como o respeito ao próximo”.

Foto: Helena Krüger
Professora do História da Unicentro pede um basta a qualquer manifestação de violência

Willian concorda que a lei que protege os direitos humanos engloba essa questão, mas como ela não é respeitada torna-se necessário que se crie outra para assegurar o direito do cidadão, e também para agravar um crime que é cometido por homofobia. “Se houvesse uma legislação mais concisa e forte relativa aos direitos humanos, não precisaria. Mas assim é necessário criar uma lei para proteger já que os números mostram como a situação é grave“.

Mídia e Imprensa

Maxmiliiam Schneider acredita que o papel da imprensa no processo de ajudar a romper preconceitos é de grande importância, por ser uma formadora de opinião. “Quando a imprensa der voz a essas minorias aí as coisas podem evoluir, mesmo que não consiga romper o preconceito, mas já faz com que as pessoas tentem pensar de outra forma, e enxergar o lado do outro.Afinal, porque tratar o outro diferente se ele é igual”, declara Max. Já o estudante de secretariado critica a mídia na maneira como representa a homossexualidade. Segundo ele, a televisão ao invés de abordar o assunto com uma perspectiva sensacionalista, deveria assumir o seu papel social para ajudar na conscientização. “Na Rede Globo, SBT estereótipos ficam claros, mostram como se todo homossexual fosse afeminado, ou no caso das lésbicas masculinizadas, todo negro atua como empregado em serviço braçal e todo índio vive numa aldeia cercada de mato, no caso de novelas e programas humorísticos, por exemplo”, opina Willian.

Editado por Vinicius Comoti

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Marretadas da Esperança


Vinicius Comoti

No desolado bairro Paz e Bem algo chama a atenção. Tornados de poeira rompem a totalidade, transparecendo um chamativo extremo. Máquinas e alguns homens articulam o projeto de uma futura rede de esgoto, na qual beneficiará os moradores que tanto sofrem com esse acúmulo, remetendo o fluxo para um sistema apropriado que não comprometa as residências. Juarez Moura é um dos trabalhadores envolvidos na obra, tem 30 anos e "arrebenta" pedras das seis da manhã as cinco da tarde. O trabalho é duro, mas o esforço compensa quando o assunto é dinheiro. "É um trabalho duro, cansativo , mas nunca me deu nenhum problema de saúde. Vale a pena, eu ganho por semana o que eu ganharia por mês em muita fábrica por aí."

"Sofro como todo morador. Sempre morei no bairro e sempre teve esse esgoto aberto"

O relógio já marcava o horário do almoço, comprovado pelo forte sol rompendo a vista. Sem camisa, Juarez já expõe sintomas de queimaduras. Intrigado com o bronzeado, despejo minha curiosidade. Você está usando protetor solar? Já ouviu falar em câncer de pele? Suas costas não estão doendo? - E a resposta surpreende - "Nunca precisei usar não, vou começar a usar protetor Sei que o câncer mata. Mas sempre fui acostumado."

Questionado sobre o futuro da obra, Juarez ressalta a importância desta, ainda mais porque também vive com sua família no Paz e Bem. Conhece de perto o enxerto mórbido do esgoto á céu aberto, que invadindo casas, gera sujeira além de um grande desconforto na higiene básica "Sofro como todo morador. Sempre morei no bairro e sempre teve esse esgoto aberto. Crianças brincando onde facilmente poderiam contaminar-se, as casas com suas calçadas cheia de sujeira.
Mas o problema maior era quando chovia e transbordava as foças, não gosto nem de lembrar."

Rigorosas batidas que além de simétricas, desenham a esperança de um futuro melhor

Um olhar esquivo aliado a gestos reprimidos marcam a fala de Juarez, que mesmo conversando continua quebrando as pedras. Algumas pedras chegam a lembrar de algo mitológico pelo tamanho de suas medidas. Mas logo percebo a essência do trabalho. Máquinas retiram essas grandes lascas do terreno. Entra em cena Juarez com as suas lapidadas, comprimindo estas até chegarem num formato ideal de manuseio e transporte. "Se você for pegar a marreta e tentar bater nela, você não vai conseguir porque além de ser pesada tem que ter jeito. Muita gente acha que é força, mas não é não. Com o tempo fui pegando o jeito."

Agradeço a atenção e não me esqueço de alertar sobre o protetor. Rumo ao caminho escuto as rigorosas batidas, que além de simétricas, desenham a esperança de um futuro melhor.

Editado por Yorran Barone

Nomes de ruas: o que eles representam, afinal?

Katrin Korpasch

Na matéria anterior terminamos o nosso passeio, nossa rota por algumas ruas guarapuavanas. Nesse trajeto, que resultou em 13,7 quilômetros e 20 ruas percorridas, pode-se perceber que nossas vias homenageiam pessoas que participaram da história da cidade, do Paraná, do Brasil, e até do mundo (lembre-se que logo no começo da rota passamos pela rua Albert Eistein!). Figuras conhecidas que, de alguma maneira, bem ou mal, construíram sua parte na história, e hoje estão presentes em nosso dia-a-dia.

Os nomes de muitas ruas homenageiam personalidades da história

Porém por outras ruas não conseguimos passar, as pessoas nela homenageadas não têm seus nomes em livros e nem são conhecidos por historiadores. É nesse sentido que a série “As ruas de Guarapuava” propõe refletir. Por que vereadores decidiram nomear ruas com nomes de pessoas pouco conhecidas? Pode se tratar de reflexos de relações de poder? Ou será que são homenagens a cidadãos comuns, que também compõe a história da cidade, como propunha o professor de história da Unicentro, Ariel Pires na segunda matéria da série? E no caso de personagens conhecidos, qual é o critério de escolha? “Guarapuava, por exemplo, tem nomes de ruas de pessoas que nunca estiveram aqui, que eu não sei se fizeram alguma coisa por Guarapuava. É até falta de informação de pesquisar a vida daquela pessoa, ver se ela merecia mesmo homenagem nesse local, isso eu acho que cabe questionar sim. Nós temos em Guarapuava a rua Saldanha Marinho, o Saldanha Marinho nunca ouviu falar em Guarapuava, então pode ser que houve um erro de avaliação nesse sentido. Os vereadores demonstram pouco caso em relação a isso, eles querem homenagear alguma família, que na sequência vai lhe render votos”, comenta o professor.
Nesse sentido, cabe o último desafio da série, você mora em uma rua que leva o nome de alguma pessoa? Sabe quem ela foi ou o que representou? Comente!

Editado por Luciana Grande

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Mutirão busca prevenir o câncer de mama amanhã (19) em Guarapuava

Luciana Grande

Amanhã (19) será realizado um mutirão para a prevenção do câncer de mama, promovido pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde (Cisgap). A ação, que ocorre todos os anos na cidade, tem por objetivo realizar exames preventivos contra a doença em mulheres de todas as idades. Já a mamografia será feita apenas naquelas com mais de 40 anos.

Enfermeiros, ginecologistas e alunos de enfermagem vão participar do evento. O atendimento será feito das 8h às 17h, na unidade do Cisgap (Rua Presidente Getúlio Vargas, 1523, Centro). As interessadas em participar devem comparecer no local com RG e cartão do SUS.

De acordo com Katsciane Yokota, uma das enfermeiras que estão coordenando a ação, o principal intuito do mutirão é diagnosticar o câncer precocemente para que haja eficácia no tratamento. “Se for descoberto logo no início, o câncer de mama pode ter percentuais altíssimos de cura. Há muitas mulheres que só procuram um médico quanto sentem os sintomas, o que compromete a cura. Por isso nós trabalhamos nessa prevenção”. Além disso, ela ressalta que o atendimento é feito para mulheres de todas as classes e idades.

Para mais informações o telefone de contato é o 3623- 4536

Editado por Vinicius Comoti

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Última parada


Katrin Korpasch

Continuamos nosso trajeto na rua XV de Novembro, até dobrarmos a direita na rua Euclides da Cunha, nome que homenageia um grande escritor brasileiro. A partir de 1888 Euclides da Cunha passou a fazer parte do jornal o Estado de São Paulo, para o qual mandava suas reportagens sobre a Guerra de Canudos. Assim, escreveu sua obra, Os Sertões.

Da rua Euclides da Cunha passamos para a rua Alcione Bastos, o primeiro aviador de Guarapuava, um dos primeiros do Paraná. Ele nasceu em 1912 e faleceu em 1944 em um acidente quando comandava uma aeronave em Salvador. Voltamos a Alcione Bastos depois de um rápido desvio pela rua Coronel Saldanha (veja o por quê no mapa abaixo).

Coronel José de Freitas Saldanha nasceu em 1841 e faleceu em 1898. Foi presidente da Câmara, juiz de paz, prefeito e deputado provincial.


Da rua XV até a Alcione Bastos, um aviador em nome de rua


Coronel Saldanha viveu em Guarapuava entre 1841 e 1898

Retomamos o passeio com uma conversão à direita para chegar até a rua Pedro Siqueira, que foi um fazendeiro, bandeirante e político importante em Guarapuava. Ele era o dono do escravo Belmiro de Miranda, sobre o qual já falamos em nossa série. Todas as ruas pelas quais passaremos hoje apresentam, na maior parte de sua extensão, atividades comerciais, já que passam basicamente por áreas mais centrais da cidade.

Depois disso tomamos a rua Capitão Frederico Virmond. Capitão Virmond foi um carioca que veio para Guarapuava em 1852. Aqui exerceu vários cargos, foi delegado, presidente da Câmara Municipal, deputado estadual e vice-presidente do estado. Além disso, foi um empresário, fundou a “Sá Virmond e Cia” em 1860, a primeira grande companhia da cidade. Na loja eram comercializados chapéus, tecidos, armas, armarinhos, entre outros. Virmond também se dedicava ao comércio de animais em larga escala, fundou o Sítio Santa Maria, no qual cultivava grandes quantidades de cana de açúcar e algodão.

Tomando a Capitão Frederico Virmond

Com 3,6 km, a rua Capitão Frederico Virmond se estende do Bairro Santa Cruz até o Alto da XV

Chegando novamente ao Bairro Santa Cruz, do qual partimos no começo de nosso passeio, passamos pela rua Engenheiro Antonio Rebouças. Segundo o professor de História da Unicentro, Ariel Pires, no começo do século XX foram criadas muitas ruas (e também municípios) com nomes de engenheiros, construtores das estradas de ferro e das rodovias do Paraná. “Na ótica de quem deu nomes às ruas foram pessoas que trouxeram progresso”, explica. Antônio Rebouças foi um destes engenheiros.

De volta à Afonso Botelho, no Bairro Santa Cruz

A seguir voltamos para a rua Afonso Botelho, perto de onde partimos. E assim chegamos ao final de nossa rota. Confira na última matéria da série o balanço final deste passeio.

Editado por Poliana Kovalyk

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Implantação do sistema binário continua em Guarapuava

Helena Krüger

Nesta semana a rua Guaíra passou a ter mão única no sentido centro- bairro

Desde sábado (05) a movimentada rua Guaíra passou a ter sentido único no trecho entre as ruas Tiradentes e Domingos Caetano do Amaral, no Bairro Batel, no sentido centro-bairro. A mudança segundo o coordenador do Guaratran, Altair Bonassa faz parte da implantação do sistema binário em Guarapuava.“O sentido único com certeza gera mais segurança e permite um fluxo organizado dos carros”, destaca.

Foto: Helena Krüger
A placa sinaliza para que os motoristas fiquem atentos, porém muitos não respeitam a sinalização

Alguns motoristas concordam que mudança gera melhorias, mas acreditam que no início da implantação o trânsito fica mais perigoso já que é comum ocorrerem acidentes com motoristas desavisados e desatentos à sinalização.
Além da rua Guaíra, diversas vias na cidade tiveram o sentido modificado nos últimos meses, inclusive ruas importantes como Getúlio Vargas e Saldanha Marinho, além das menos movimentadas como as do bairro Santa Cruz.
Amauri Gumieiro, motorista experiente, reside e mora no bairro Santa Cruz fala que precisou ficar muito mais atento ao trânsito, já que muita gente desrespeita a legislação. “Ficou mais perigoso, todo mundo anda na contramão, pode até agilizar mais o transito, mas o pessoal estaciona errado, mas tem que esperar as pessoas se habituarem”
O jovem publicitário Cleverson Assis dirige há três anos, e também transita diariamente pela rua Guaíra e pelos arredores do bairro Santa Cruz, acredita que a mudança pode até ser necessária, mas o processo deveria ser implantado lentamente. “Para mim está ruim, sei que eles estão pensando em melhorias para o futuro, mas acho que devia começar aos poucos, muita mudança assim gera confusão”, ressalta.

Fiscalização
Ambos motoristas aceitam a mudança, porém reclamam da fiscalização nas vias. Amauri diz que perto de sua casa é comum ver carros estacionados em local proibido e na contra-mão. “Deveria haver rondas nesse período de adaptação, para orientar e também multar quem está infringindo a lei, isso é negativo, pois é fácil de ocorrer acidentes e o prejudicado pode ser você”.
Cleverson também sente falta dessa fiscalização. “São muitas ruas que mudaram, sendo que não tem guardas para apoiar e sinaliza melhor estas alterações”.

Sistema binário
O sistema binário é uma tendência no Paraná e no Brasil. Percebe-se que desde o início do ano, cidades como Paranavaí e Maringá já aplicaram o sistema.
A implantação tem como intuito fazer com o trânsito siga melhor tanto do centro para os bairros, quanto no sentido inverso. “O que precisa haver é a conscientização da comunidade no trânsito, não só nesses casos de alteração, mas como um todo, respeitar mais os pedestres, por exemplo.”, opina o coordenador de trânsito, Altair.

Foto: Helena Krüger
Rua Saldanha Marinho também é outra via importante que teve mudança de sentido

Alterações nas ruas públicas de Guarapuava em 2011:

Os trechos dos bairros Santa Cruz e Trianon que passaram a ter sentido único a partir do mês de setembro:

1- Rua Barão do Capanema, (norte-sul), da Rua Capitão Virmond até a Rua Generoso de Paula Bastos;

2- Rua Engenheiro Antônio Rebouças, (sul-norte), da Avenida Vereador Ruben Siqueira até a Rua Capitão Virmond;

3- Rua Jesuíno Marcondes, (norte-sul), da Rua Capitão Virond até a Avenida Vereador Ruben Siqueira Ribas;

4- Rua Bernardo José de Lacerda, (sul-norte), da Avenida Vereador Ruben Siqueira Ribas até a Rua Professor Becker;

5- Rua Manoel Marcondes (norte-sul), da Rua 17 de Julho até a Rua Capitão Virmond;

6- Rua Tiradentes, (norte-sul), da Rua 17 de Julho até a Avenida Vereador Ruben Siqueira Ribas;

7- Rua Quintino Bocaiúva, (sul-norte), da Avenida Vereador Ruben Siqueira Ribas até a Rua Andrade Neves;

8- Rua Getúlio Vargas, (norte-sul), da Rua 05 de Outubro até a Avenida Vereador Ruben Siqueira Ribas.

Os trechos que formam o sistema viário dos bairros Trianon e Santa Cruz, nos sentidos Leste-Oeste e Oeste-Leste, e que passaram a ter sentido único, a partir de 8/10 conforme relação abaixo:

1- Rua Capitão Virmond entre as ruas Tiradentes e Quintino Bocaiúva (Oeste-Leste);

2- Rua Frei Caneca entre as ruas Tiradentes e Barão de Capanema (Leste-Oeste);

3- Rua Andrade Neves entre as ruas Engenheiro Antonio Rebouças e Tiradentes (Oeste-Leste);

4- Rua Afonso Botelho entre as ruas Manoel Marcondes e Padre Salvatore Renna (Leste-Oeste);

5- Rua 05 de Outubro entre as ruas Marechal Floriano Peixoto e Padre Salvatore Rernna (Leste-Oeste);

6- Rua Generoso de Paula Bastos entre as ruas Padre Salvatore Renna e Marechal Floriano Peixoto ( Oeste-Leste);

7- Rua Juvenal Caldas entre as ruas Marechal Floriano Peixoto e Getulio Vargas (Leste-Oeste)

Foto: Helena Krüger

O grande número de mudanças confunde o motorista e pode provocar muitos acidentes

Editado por Yarê Protzek

Escolas municipais expõem trabalhos que promovem consciência ambiental na praça 9 de dezembro

Helena Krüger

A exposição fez parte do projeto “Reciclar é preciso” da Secretaria Municipal de Educação

Representantes de oito escolas municipais da cidade realizaram nesta quarta-feira (9) uma exposição de trabalhos e atividades com materiais recicláveis desenvolvidos pelos próprios alunos de educação infantil.
Apesar de todas as escolas presentes seguirem desde o inicio do ano o mesmo projeto “Reciclar é preciso” em conjunto com a iniciativa da prefeitura “A Guarapuava de hoje preserva o amanhã”, cada uma apresentou as diferentes e criativas propostas que foram realizadas durante todo o ano letivo.

Maquete do projeto de reciclagem de papel da Escola Municipal Lidia Curi

A escola municipal Lidia Scheidt Curi, por exemplo, desenvolveu junto ao corpo docente e alunos uma campanha de arrecadação de papel e de óleo vegetal mobilizando não só alunos e professores como também a família. A supervisora da escola Lidia Curi, Jucimeri Parisan conta como, aparentemente um simples projeto, transformou-se em uma grande parceria com uma empresa da cidade. “O nosso projeto de reciclagem começa com a arrecadação, que mobilizou toda escola e também a comunidade, em seguida separamos e classificamos. Depois, são feitas aparas que a empresa de papel higiênico receba e a transforme novamente no mesmo produto”. A iniciativa aprimorou a educação ambiental das crianças e também gerou benefícios para a escola. “Além da conscientização e da responsabilidade causou economia, já que a empresa que recebe o reciclável passou a fornecer gratuitamente papel higiênico para a escola municipal”, complementa Jucimeri Parisan. Além da reciclagem dos papéis, a escola também transforma óleo vegetal em sabão caseiro, que são fornecidos para as famílias dos alunos e para uso interno da instituição.
A exposição contemplou trabalhos dos mais diversos, mas o CMEI (Centro Municipal de Educação Infantil Morro Alto) deu exemplo em manifestações artísticas com os recicláveis. A diretora do Centro, Ângela Maria Rocha Lozove explica que o importante é saber conciliar o projeto com os conteúdos, com intuito de promover a interdisciplinaridade em conjunto com a consciência ambiental. “Aqui até mesmo antes do projeto atividades com este objetivo sempre ocorreram, os alunos fizeram maquetes em homenagem aos 200 anos de Guarapuava com os pontos turísticos da cidade, e ainda recriaram obras de Tarsila do Amaral com objetos recicláveis, nosso objetivo é sempre contextualizar com os conteúdos dados em sala de aula.”, conta a diretora.
Ainda a supervisora do CMEI destaca que o centro realizou só neste ano 29 projetos relacionados com reciclagem e também procuram envolver as famílias. “Nós arrecadamos com os pais, percebemos que virou até hábito, também fazemos e ensinamos a classificação do lixo”.Além disso, a diretora Ângela Lima destaca que o projeto virou até motivo de diversão, pois as crianças de 0 a 5 anos fazem seu próprio brinquedo na escola. “É gratificante para gente ver essas crianças se divertindo com reciclagem.”
As alunas da escola municipal Chester Kochanski, Jéssica Carão de Oliveira, Bianca de Souza e Jaquelaine de Oliveira, de sete anos, mostram que já aprenderam muito sobre reciclagem e estão prontas até mesmo para ensinar. “É muito legal preservar a natureza e o planeta brincando. Agente faz até brinquedo. A nossa escola bateu recorde em reciclagem.”, conta Jéssica. Bianca complementa dizendo que durante a tarde estariam distribuindo folhetos educativos nos carros relacionados ao meio ambiente.
O projeto “Reciclar é preciso” contou com oito escolas municipais, além das citadas participaram as escolas São Mateus; Luisa P. do Amaral; Abilio F. de Oliveira e Hildegard Burjan.

Jéssica, Bianca e Jaquelaine dão exemplo em preservação do meio ambiente

Editado por Yarê Protzek

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Conclusão da reforma na ponte do Parque do Lago está prevista para o final deste mês

Luciana Grande

Nos últimos três meses, um dos cartões postais de Guarapuava está destoado de sua essência e forma original. Isso porque, desde o dia 15 de agosto deste ano, a ponte principal do Parque do Lago vem passando por uma reforma feita pela Prefeitura Municipal, através da Surg (Companhia de Serviços e Urbanização de Guarapuava).
Em nota, por meio da Assessoria de Comunicação da Prefeitura Municipal, a Surg informou que “houve deterioramento da madeira em alguns locais da estrutura e por isso foi decidido trocar o assoalho por madeira nova de cambará. Além disso, eucaliptos tratados foram colocados como base de sustentação”. Portanto, os reparos têm por objetivo oferecer mais segurança à população.
A previsão para a finalização da reforma na ponte, de acordo com a prefeitura, é até o dia 30 do mês de novembro.


A reforma foi iniciada há cerca de três meses

No entanto, embora a obra seja necessária para garantir a segurança das pessoas que frequentam o local, a demora na conclusão tem incomodado alguns frequentadores do parque. Osni Vivi, corretor de imóveis, pratica caminhada no Parque do Lago cerca de três vezes por semana. Apesar de concordar com a necessidade dos reparos, ele está descontente com o atraso e com o caminho alternativo feito para desviar da ponte. “O caminho alternativo é péssimo, estreito e em declive, o que pode causar lesões aos caminhantes.”. Além disso, ele atenta ao fato de que, com o horário de verão, o local está muito mais cheio. “As pessoas ficam se empurrando, porque não há espaço para passar. Pisoteiam as flores, é complicado. Eles precisam concluir urgentemente essa reforma”.

domingo, 6 de novembro de 2011

As avenidas mais conhecidas e a rua mais popular

Katrin Korpasch

Hoje seguiremos nosso trajeto pelas avenidas Prefeito Moacir Júlio Silvestri, Manoel Ribas, e pela rua XV de Novembro. Saindo da rua Visconde de Guarapuava, na qual paramos na última matéria, dobramos a direita e chegamos à Avenida Prefeito Moacir Júlio Silvestri, um político guarapuavano que, quando ocupou o cargo de deputado estadual, ajudou na implantação da primeira instituição de ensino superior da cidade. Em 1970 era fundada a Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Guarapuava, a FAFIG, que hoje é a Unicentro.

Continuando a trajetória passamos pelas avenidas Prefeito Moacir Júlio Silvestri, Manoel Ribas e pela rua XV de Novembro

Passando pelo chamado trevo do índio chegamos à Avenida Manoel Ribas. Segundo o professor de história da Unicentro, Ariel Pires, Manoel Ribas, que também dá nome a uma cidade próxima a Guarapuava, foi um político. “Manoel Ribas, foi um interventor do Paraná. Um interventor é um governador nomeado pelo presidente, no caso Getúlio Vargas, para governar. Não havia eleições, nomeavam quem queriam”, afirma. Segundo o professor, essa não foi uma boa decisão. “Getúlio Vargas nomeou Manoel Ribas, que era muito rude. O apelido dele era Manoel Facão, era um homem terrível”, completa.


O trevo do índio, como os guarapuavanos costumam chamar o trevo com um monumento em homenagem ao Cacique Guairacá, faz a ligação entre as duas avenidas.

Da Avenida Manoel Ribas passamos para uma das ruas mais conhecidas de Guarapuava. A rua XV de Novembro, que homenageia a proclamação da república do Brasil. Com extensão de mais de oito quilômetros, a rua atravessa a cidade. Tem seu início ainda antes do Parque do Lago, no Bairro Santa Cruz e, passando por quase toda a extensão de Guarapuava chega até a BR 277.

Antes de se chamar XV de Novembro, essa rua, tão conhecida dos guarapuavanos já foi chamada de chamada Rua das Chagas, Benjamin Constant, e Coronel Cleve. Foi em 1921 que ela recebeu o nome que tem até hoje.

A XV de Novembro é uma das ruas mais conhecidas de Guarapuava, o motivo de seu nome também não é difícil de lembrar

Fique atento, à próxima matéria encerramos nosso passeio por Guarapuava.

Editado por Poliana Kovalyk

sábado, 5 de novembro de 2011

Nomes de ruas em Guarapuava homenageiam Visconde de Guarapuava e Arlindo Ribeiro

Katrin Korpasch

Na matéria anterior paramos na rua Capitão Rocha, hoje seguiremos nosso trajeto com uma conversão à direita. Assim, chegamos à rua Arlindo Ribeiro. A rua é uma homenagem a Arlindo Martins Ribeiro, que nasceu em 1873, em Iguapé, São Paulo. Ainda jovem tornou-se viajante e passou por boa parte do sul do Brasil. Veio para Guarapuava em 1916, casou-se aqui e foi eleito deputado estadual e prefeito da cidade.

Continuando a trajetória: rua Arlindo Ribeiro e Visconde de Guarapuava

Em seguida passamos para a rua Visconde de Guarapuava. “O Visconde foi essencialmente um político do final do império e começo da república”, explica o professor de história da Unicentro Ariel Pires. Antônio de Sá Camargo nasceu em 1807 em Palmeira, que fica a cerca de 178 quilômetros a leste de Guarapuava. Alguns anos depois veio à Guarapuava para morar na fazenda do pai. Atuou na guerra contra o Paraguai e prestou serviços para o Império em Guarapuava. Antônio de Sá Camargo foi nomeado coronel da Guarda Nacional, montou, financiou e foi comandante do 7º da cavalaria de Guarapuava, que guarneceu a fronteira com a Argentina na Guerra do Paraguai.

Rua Visconde de Guarapuava: de um lado está a Praça 9 de Dezembro, e do outro, a casa (em branco e azul) em que o Visconde viveu

Atuando na política, foi deputado provincial e vice-presidente da Província. Além disso, fundou cidades, escolas, libertou escravos, construiu hospitais e bibliotecas. Também contribuiu para a criação da Santa Casa de Curitiba e de Paranaguá. Por todos estes aspectos recebeu de D. Pedro II o título de Visconde de Guarapuava.

A Arlindo Ribeiro tem residências na maior parte de sua extensão, é a rua que passa ao lado da Prefeitura

Visconde faleceu em 7 de novembro de 1896. Hoje ele tem seu busto representado na Praça 9 de dezembro. A casa em que viveu em Guarapuava foi transformada em museu, o Museu Municipal Visconde de Guarapuava, que fica em frente à Praça 9 de dezembro.
A próxima parte do nosso passeio você confere na matéria seguinte. Até lá!

Editado por Mário Raposo Jr.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Unidos pela história e pelo mapa

Katrin Korpasch

Depois de passarmos pela rua Professor Becker na matéria passada, fazemos uma conversão à esquerda para continuarmos nosso trajeto. Nesta parte iremos passar por três ruas com nomes ligados historicamente. São estes: Azevedo Portugal, Padre Chagas e Capitão Rocha. Hoje, as ruas Padre Chagas e Capitão Rocha passam pelo centro da cidade, por isso, concentram vários tipos de comércio, já a extensão da Azevedo Portugal concentra mais residências, mas na parte em que passa ao lado da Praça Cleve há uma área comercial.


Assim como na história, no mapa da cidade, as ruas Padre Chagas, Azevedo Portugal e Capitão Rocha também estão próximas

Diogo Pinto de Azevedo Portugal, Padre Francisco de Chagas Lima, Antonio da Rocha Loures e mais 200 soldados e 100 povoadores vieram para a região a mando de D. João VI com a Real Expedição Colonizadora de Guarapuava. O grupo chegou em 17 de junho de 1810 e deu origem ao Povoado de Atalaia, o primeiro povoado dos campos guarapuavanos. Mais tarde, entre 1818 e 1819 foi fundada a Freguesia de Nossa Senhora de Belém, os moradores do Povoado de Atalaia se mudaram para o local escolhido por Padre Chagas para receber a Igreja Matriz, entre os rios Pinhão e Coutinho, exatamente onde hoje se encontra a sede de Guarapuava, foi aí que a cidade começou.

A rua Padre Chagas é central em Guarpauva e tem grande movimento

Conforme o professor de história da Unicentro, Ariel Pires, é justo homenagear estes nomes em nossas ruas. “São os fundadores de Guarapuava, líderes de expedições que vieram tomar posse das terras em nome, ou para o governo imperial, principalmente depois de 1808, quando a família real veio para o Brasil. D. João VI imediatamente lançou a política dele e partiu para atravessar o tratado de Tordesilhas, já que Guarapuava, por exemplo, era possessão espanhola”.

A rua Azevedo Portugal é importante na ligação entre avenidadas

Os três personagens contribuíram para o estabelecimento do que hoje é nossa cidade. Depois de, como vimos na nossa primeira matéria, Afonso Botelho e seu grupo terem deixado Guarapuava, quarenta anos depois chegam Azevedo Portugal, Padre Chagas e Capitão Rocha para colonizar nossa região e dar início a Guarapuava. Por isso são homenageados em nossas ruas. Aliás, Padre Chagas tem outra ligação com as ruas guarapuavanas. Foi ele que traçou as primeiras ruas e a arquitetura dos primeiros casarões de Guarapuava. Traçou a primeira quadra da cidade, na qual ficaria a Igreja e a Casa do Vigário, o ponto zero da cidade. Porém, no começo as vias eram denominadas conforme o uso. Havia por exemplo, a rua da Cadeia, rua das Flores, rua da Sachristia, e assim por diante. Foi em 1853 que os vereadores passaram a requerer uma denominação legal para as vias da cidade.


A rua Capitão Rocha tem grande movimento e presença de muitas empresas

Editado por Mário Raposo Jr.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Um escravo e um professor nas ruas de Guarapuava

Katrin Korpasch

Na matéria anterior paramos na rua Afonso Botelho, agora, quase no final desta via, no Bairro Trianon, fazemos uma conversão à esquerda e passamos para a rua Belmiro de Miranda. Esta rua com apenas quatro quadras, que terminam na Lagoa das Lágrimas, trazem um nome com muita história. Belmiro de Miranda foi um escravo comprado em Maceió por um fazendeiro de Guarapuava pra construir um casarão.

Em nossa trajetória passamos agora pelas ruas Belmiro de Miranda e Professor Becker

O escravo desenhava plantas de casas, era carpinteiro, pedreiro, e especialista em construções de taipa. Em suas folgas Belmiro aproveitava o tempo para administrar outros casarões. Com esta atividade acabou juntando algum dinheiro. É aqui que começa a sua luta. Belmiro de Miranda foi quem organizou a campanha abolicionista em Guarapuava. Com o dinheiro que tinha ganhado, comprou a liberdade da escrava Esydia Ephigênia, com quem se casou algum tempo depois, quando foi libertado por testamento pelo seu dono.

Junto com Esydia Belmiro construiu o hotel de viajantes ‘Redenção’. Por meio disto foi possível que atuassem na campanha de abolição da escravatura, os dois compraram a liberdade de 50 escravos ainda antes da abolição.

Rua Belmiro de Miranda

Seguindo com o passeio, no final da rua Belmiro de Miranda chegamos à Professor Becker. A estudante Claudia Marx afirma que esta rua faz parte de seu cotidiano. “Passo todos os dias por ela, a Professor Becker faz parte do meu trajeto de casa até a faculdade, mas para falar a verdade não sei quem foi ele”. Para a Claudia e para todos que tem curiosidade de saber por que este professor tem uma rua em sua homenagem, trazemos um pouco sobre este personagem histórico.

Professor João Rodrigues Becker y Silva nasceu na Argentina. Como ex-oficial do exército argentino veio para Guarapuava, onde fundou o Instituto Becker ou Internato Professor Becker em 1902. O professor ajudou no desenvolvimento da educação na cidade e fundou o primeiro grupo de escoteiros. Becker se destacou no magistério em todo o Paraná.

Rua Professor Becker, que cruza em frente à Lagoa das Lágrimas com a Rua Belmiro de Miranda

Continuamos o passeio na próxima matéria!

Editado por Giovani Ciquelero

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Começando a trajetória nas Ruas de Guarapuava

Katrin Korpasch

Nós começamos nosso passeio pelas ruas de Guarapuava no Bairro Santa Cruz, na Avenida Serafim Ribas. Esta avenida liga a PR-170 à cidade. Serafim Oliveira Ribas nasceu em 1851 em Guarapuava e montou em 1892 por conta própria a primeira tipografia de Guarapuava. Algum tempo depois fundou o primeiro jornal da cidade, “O Guayra”. Para conseguir os materiais e máquinas necessários para o jornal, que tinha como redator Luiz Daniel Cleve, teve que carregá-los no lombo de animais por entre as matas, já que naquela época Guarapuava não tinha estradas que ligassem a cidade a outras. Com o passar dos anos, Serafim Ribas vendeu o jornal e passou a ser comerciante em Imbituva, e depois mudou-se para Curitiba. Novamente em Guarapuava, dedicou-se a Frederico Blum, sua casa comercial.

Observe no mapa o nosso ponto de partida

Dando continuidade ao nosso passeio, fazemos uma conversão à direita e pegamos a via que homenageia um grande cientista, a rua Albert Einstein. Em seguida passamos para a rua Afonso Botelho. Afonso Botelho de Sampaio e Souza foi mando pela Coroa Portuguesa para tomar posse dos campos guarapuavanos. Chegou aqui no dia 8 de dezembro de 1771 quando mandou rezar a primeira missa.


Avenida Serafim Ribas liga a BR-170 à cidade

Ele explorou os campos de Guarapuava e mudou o nome do rio Capivaruçu para Rio Jordão, onde procurava por minerais preciosos e quase se afogou. Por ameaças e medo de ataques de índios, Afonso Botelho e seus companheiros partiram de Guarapuava e suspenderam a vinda de novas expedições, por isso a conquista de Guarapuava só foi retomada quase 40 anos depois.
Nosso passeio continua na próxima matéria. Até lá!

Editado por Ana Carolina Pereira

sábado, 22 de outubro de 2011

Nomes de personalidades históricas em ruas: como surgiu esta ideia?

Katrin Korpasch

A maioria das vias têm nomes de personalidades históricas. Câmaras Municipais de todo o país optam por homenagear estes personagens, em Guarapuava não é diferente. Segundo o professor de História da Unicentro, Ariel Pires este padrão deveria ser repensado em alguns casos. “Na verdade eu acho que é falta de criatividade dos vereadores. Nós temos muito essa coisa de tradição, então é tradicional você dar nomes as ruas de personagens históricos, no sentido cargo, poder, na verdade é a classe dominante que está dando nomes pras ruas, por isso é que aparecem os nomes deles. Mas por que só valorizar esses símbolos, e não homenagear o trabalhador do cotidiano, o negro, o índio, por que ficar dando nome de quem foi deputado, vereador.” Por outro lado esta prática também se relaciona a um certo medo de esquecimento, ou rompimento. “As pessoas tem certo medo de se desligar do passado por que também é uma questão de identidade”, reitera.
Para entender o porquê desta tradição, é necessário voltar no tempo. Logo depois do estabelecimento da república no Brasil, entre o final do século XIX e início do século XX, se instituiu a organização das cidades. De acordo com o professor naquela época se convencionou a nomeação das vias. “Dar nomes às ruas era uma questão óbvia de que as pessoas teriam que ter seus endereços. E assim que se instalou o serviço nacional dos correios, se precisava ter os nomes das ruas definidos”.
No início do século XX, os primeiros republicanos se encontravam na missão de ‘dar uma cara’ ao Brasil, definir a identidade da nação, da nova república que estava surgindo. “A maior parte do grupo que estava discutindo este assunto, querendo dar uma identidade pra república nascente, decidiu por uma filosofia, um fundamento político que seguisse um modelo já existente. Então esses republicanos optaram pelo modelo positivista, que é uma filosofia, um jeito de pensar, uma forma de governar, que surgiu na França em início do século XIX”, explica o professor. O lema do positivismo ‘ordem e progresso’, foi adotado e colocado até na bandeira nacional.
Alguns desses primeiro republicanos foram Silva Jardim, Benjamin Constant, Quintino Bocaiúva, Marechal Deodoro da Fonseca, Marechal Floriano e Saldanha Marinho. Eles mesmos tiveram seus nomes postos em muitas ruas pelo Brasil. “O positivismo enaltece mais o sujeito da história, e não o objeto. Nesse sentido várias câmaras municipais decidiram homenagear muitos desses nomes, que trouxeram essa idéia pro Brasil. Pode se observar que essa prática continuou, a maioria dos municípios brasileiros ainda dá nomes de pessoas às ruas”, completa o professor.

Rua Quintino Bocaiúva:
Rua Saldanha Marinho:
Rua Quintino Bocaiúva e Saldanha Marinho são exemplos de ruas nomeadas em homenagem aos primeiros republicanos

Editado por Helena Krüger