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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Nomes de ruas: o que eles representam, afinal?

Katrin Korpasch

Na matéria anterior terminamos o nosso passeio, nossa rota por algumas ruas guarapuavanas. Nesse trajeto, que resultou em 13,7 quilômetros e 20 ruas percorridas, pode-se perceber que nossas vias homenageiam pessoas que participaram da história da cidade, do Paraná, do Brasil, e até do mundo (lembre-se que logo no começo da rota passamos pela rua Albert Eistein!). Figuras conhecidas que, de alguma maneira, bem ou mal, construíram sua parte na história, e hoje estão presentes em nosso dia-a-dia.

Os nomes de muitas ruas homenageiam personalidades da história

Porém por outras ruas não conseguimos passar, as pessoas nela homenageadas não têm seus nomes em livros e nem são conhecidos por historiadores. É nesse sentido que a série “As ruas de Guarapuava” propõe refletir. Por que vereadores decidiram nomear ruas com nomes de pessoas pouco conhecidas? Pode se tratar de reflexos de relações de poder? Ou será que são homenagens a cidadãos comuns, que também compõe a história da cidade, como propunha o professor de história da Unicentro, Ariel Pires na segunda matéria da série? E no caso de personagens conhecidos, qual é o critério de escolha? “Guarapuava, por exemplo, tem nomes de ruas de pessoas que nunca estiveram aqui, que eu não sei se fizeram alguma coisa por Guarapuava. É até falta de informação de pesquisar a vida daquela pessoa, ver se ela merecia mesmo homenagem nesse local, isso eu acho que cabe questionar sim. Nós temos em Guarapuava a rua Saldanha Marinho, o Saldanha Marinho nunca ouviu falar em Guarapuava, então pode ser que houve um erro de avaliação nesse sentido. Os vereadores demonstram pouco caso em relação a isso, eles querem homenagear alguma família, que na sequência vai lhe render votos”, comenta o professor.
Nesse sentido, cabe o último desafio da série, você mora em uma rua que leva o nome de alguma pessoa? Sabe quem ela foi ou o que representou? Comente!

Editado por Luciana Grande

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Última parada


Katrin Korpasch

Continuamos nosso trajeto na rua XV de Novembro, até dobrarmos a direita na rua Euclides da Cunha, nome que homenageia um grande escritor brasileiro. A partir de 1888 Euclides da Cunha passou a fazer parte do jornal o Estado de São Paulo, para o qual mandava suas reportagens sobre a Guerra de Canudos. Assim, escreveu sua obra, Os Sertões.

Da rua Euclides da Cunha passamos para a rua Alcione Bastos, o primeiro aviador de Guarapuava, um dos primeiros do Paraná. Ele nasceu em 1912 e faleceu em 1944 em um acidente quando comandava uma aeronave em Salvador. Voltamos a Alcione Bastos depois de um rápido desvio pela rua Coronel Saldanha (veja o por quê no mapa abaixo).

Coronel José de Freitas Saldanha nasceu em 1841 e faleceu em 1898. Foi presidente da Câmara, juiz de paz, prefeito e deputado provincial.


Da rua XV até a Alcione Bastos, um aviador em nome de rua


Coronel Saldanha viveu em Guarapuava entre 1841 e 1898

Retomamos o passeio com uma conversão à direita para chegar até a rua Pedro Siqueira, que foi um fazendeiro, bandeirante e político importante em Guarapuava. Ele era o dono do escravo Belmiro de Miranda, sobre o qual já falamos em nossa série. Todas as ruas pelas quais passaremos hoje apresentam, na maior parte de sua extensão, atividades comerciais, já que passam basicamente por áreas mais centrais da cidade.

Depois disso tomamos a rua Capitão Frederico Virmond. Capitão Virmond foi um carioca que veio para Guarapuava em 1852. Aqui exerceu vários cargos, foi delegado, presidente da Câmara Municipal, deputado estadual e vice-presidente do estado. Além disso, foi um empresário, fundou a “Sá Virmond e Cia” em 1860, a primeira grande companhia da cidade. Na loja eram comercializados chapéus, tecidos, armas, armarinhos, entre outros. Virmond também se dedicava ao comércio de animais em larga escala, fundou o Sítio Santa Maria, no qual cultivava grandes quantidades de cana de açúcar e algodão.

Tomando a Capitão Frederico Virmond

Com 3,6 km, a rua Capitão Frederico Virmond se estende do Bairro Santa Cruz até o Alto da XV

Chegando novamente ao Bairro Santa Cruz, do qual partimos no começo de nosso passeio, passamos pela rua Engenheiro Antonio Rebouças. Segundo o professor de História da Unicentro, Ariel Pires, no começo do século XX foram criadas muitas ruas (e também municípios) com nomes de engenheiros, construtores das estradas de ferro e das rodovias do Paraná. “Na ótica de quem deu nomes às ruas foram pessoas que trouxeram progresso”, explica. Antônio Rebouças foi um destes engenheiros.

De volta à Afonso Botelho, no Bairro Santa Cruz

A seguir voltamos para a rua Afonso Botelho, perto de onde partimos. E assim chegamos ao final de nossa rota. Confira na última matéria da série o balanço final deste passeio.

Editado por Poliana Kovalyk

domingo, 6 de novembro de 2011

As avenidas mais conhecidas e a rua mais popular

Katrin Korpasch

Hoje seguiremos nosso trajeto pelas avenidas Prefeito Moacir Júlio Silvestri, Manoel Ribas, e pela rua XV de Novembro. Saindo da rua Visconde de Guarapuava, na qual paramos na última matéria, dobramos a direita e chegamos à Avenida Prefeito Moacir Júlio Silvestri, um político guarapuavano que, quando ocupou o cargo de deputado estadual, ajudou na implantação da primeira instituição de ensino superior da cidade. Em 1970 era fundada a Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Guarapuava, a FAFIG, que hoje é a Unicentro.

Continuando a trajetória passamos pelas avenidas Prefeito Moacir Júlio Silvestri, Manoel Ribas e pela rua XV de Novembro

Passando pelo chamado trevo do índio chegamos à Avenida Manoel Ribas. Segundo o professor de história da Unicentro, Ariel Pires, Manoel Ribas, que também dá nome a uma cidade próxima a Guarapuava, foi um político. “Manoel Ribas, foi um interventor do Paraná. Um interventor é um governador nomeado pelo presidente, no caso Getúlio Vargas, para governar. Não havia eleições, nomeavam quem queriam”, afirma. Segundo o professor, essa não foi uma boa decisão. “Getúlio Vargas nomeou Manoel Ribas, que era muito rude. O apelido dele era Manoel Facão, era um homem terrível”, completa.


O trevo do índio, como os guarapuavanos costumam chamar o trevo com um monumento em homenagem ao Cacique Guairacá, faz a ligação entre as duas avenidas.

Da Avenida Manoel Ribas passamos para uma das ruas mais conhecidas de Guarapuava. A rua XV de Novembro, que homenageia a proclamação da república do Brasil. Com extensão de mais de oito quilômetros, a rua atravessa a cidade. Tem seu início ainda antes do Parque do Lago, no Bairro Santa Cruz e, passando por quase toda a extensão de Guarapuava chega até a BR 277.

Antes de se chamar XV de Novembro, essa rua, tão conhecida dos guarapuavanos já foi chamada de chamada Rua das Chagas, Benjamin Constant, e Coronel Cleve. Foi em 1921 que ela recebeu o nome que tem até hoje.

A XV de Novembro é uma das ruas mais conhecidas de Guarapuava, o motivo de seu nome também não é difícil de lembrar

Fique atento, à próxima matéria encerramos nosso passeio por Guarapuava.

Editado por Poliana Kovalyk

sábado, 5 de novembro de 2011

Nomes de ruas em Guarapuava homenageiam Visconde de Guarapuava e Arlindo Ribeiro

Katrin Korpasch

Na matéria anterior paramos na rua Capitão Rocha, hoje seguiremos nosso trajeto com uma conversão à direita. Assim, chegamos à rua Arlindo Ribeiro. A rua é uma homenagem a Arlindo Martins Ribeiro, que nasceu em 1873, em Iguapé, São Paulo. Ainda jovem tornou-se viajante e passou por boa parte do sul do Brasil. Veio para Guarapuava em 1916, casou-se aqui e foi eleito deputado estadual e prefeito da cidade.

Continuando a trajetória: rua Arlindo Ribeiro e Visconde de Guarapuava

Em seguida passamos para a rua Visconde de Guarapuava. “O Visconde foi essencialmente um político do final do império e começo da república”, explica o professor de história da Unicentro Ariel Pires. Antônio de Sá Camargo nasceu em 1807 em Palmeira, que fica a cerca de 178 quilômetros a leste de Guarapuava. Alguns anos depois veio à Guarapuava para morar na fazenda do pai. Atuou na guerra contra o Paraguai e prestou serviços para o Império em Guarapuava. Antônio de Sá Camargo foi nomeado coronel da Guarda Nacional, montou, financiou e foi comandante do 7º da cavalaria de Guarapuava, que guarneceu a fronteira com a Argentina na Guerra do Paraguai.

Rua Visconde de Guarapuava: de um lado está a Praça 9 de Dezembro, e do outro, a casa (em branco e azul) em que o Visconde viveu

Atuando na política, foi deputado provincial e vice-presidente da Província. Além disso, fundou cidades, escolas, libertou escravos, construiu hospitais e bibliotecas. Também contribuiu para a criação da Santa Casa de Curitiba e de Paranaguá. Por todos estes aspectos recebeu de D. Pedro II o título de Visconde de Guarapuava.

A Arlindo Ribeiro tem residências na maior parte de sua extensão, é a rua que passa ao lado da Prefeitura

Visconde faleceu em 7 de novembro de 1896. Hoje ele tem seu busto representado na Praça 9 de dezembro. A casa em que viveu em Guarapuava foi transformada em museu, o Museu Municipal Visconde de Guarapuava, que fica em frente à Praça 9 de dezembro.
A próxima parte do nosso passeio você confere na matéria seguinte. Até lá!

Editado por Mário Raposo Jr.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Unidos pela história e pelo mapa

Katrin Korpasch

Depois de passarmos pela rua Professor Becker na matéria passada, fazemos uma conversão à esquerda para continuarmos nosso trajeto. Nesta parte iremos passar por três ruas com nomes ligados historicamente. São estes: Azevedo Portugal, Padre Chagas e Capitão Rocha. Hoje, as ruas Padre Chagas e Capitão Rocha passam pelo centro da cidade, por isso, concentram vários tipos de comércio, já a extensão da Azevedo Portugal concentra mais residências, mas na parte em que passa ao lado da Praça Cleve há uma área comercial.


Assim como na história, no mapa da cidade, as ruas Padre Chagas, Azevedo Portugal e Capitão Rocha também estão próximas

Diogo Pinto de Azevedo Portugal, Padre Francisco de Chagas Lima, Antonio da Rocha Loures e mais 200 soldados e 100 povoadores vieram para a região a mando de D. João VI com a Real Expedição Colonizadora de Guarapuava. O grupo chegou em 17 de junho de 1810 e deu origem ao Povoado de Atalaia, o primeiro povoado dos campos guarapuavanos. Mais tarde, entre 1818 e 1819 foi fundada a Freguesia de Nossa Senhora de Belém, os moradores do Povoado de Atalaia se mudaram para o local escolhido por Padre Chagas para receber a Igreja Matriz, entre os rios Pinhão e Coutinho, exatamente onde hoje se encontra a sede de Guarapuava, foi aí que a cidade começou.

A rua Padre Chagas é central em Guarpauva e tem grande movimento

Conforme o professor de história da Unicentro, Ariel Pires, é justo homenagear estes nomes em nossas ruas. “São os fundadores de Guarapuava, líderes de expedições que vieram tomar posse das terras em nome, ou para o governo imperial, principalmente depois de 1808, quando a família real veio para o Brasil. D. João VI imediatamente lançou a política dele e partiu para atravessar o tratado de Tordesilhas, já que Guarapuava, por exemplo, era possessão espanhola”.

A rua Azevedo Portugal é importante na ligação entre avenidadas

Os três personagens contribuíram para o estabelecimento do que hoje é nossa cidade. Depois de, como vimos na nossa primeira matéria, Afonso Botelho e seu grupo terem deixado Guarapuava, quarenta anos depois chegam Azevedo Portugal, Padre Chagas e Capitão Rocha para colonizar nossa região e dar início a Guarapuava. Por isso são homenageados em nossas ruas. Aliás, Padre Chagas tem outra ligação com as ruas guarapuavanas. Foi ele que traçou as primeiras ruas e a arquitetura dos primeiros casarões de Guarapuava. Traçou a primeira quadra da cidade, na qual ficaria a Igreja e a Casa do Vigário, o ponto zero da cidade. Porém, no começo as vias eram denominadas conforme o uso. Havia por exemplo, a rua da Cadeia, rua das Flores, rua da Sachristia, e assim por diante. Foi em 1853 que os vereadores passaram a requerer uma denominação legal para as vias da cidade.


A rua Capitão Rocha tem grande movimento e presença de muitas empresas

Editado por Mário Raposo Jr.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Um escravo e um professor nas ruas de Guarapuava

Katrin Korpasch

Na matéria anterior paramos na rua Afonso Botelho, agora, quase no final desta via, no Bairro Trianon, fazemos uma conversão à esquerda e passamos para a rua Belmiro de Miranda. Esta rua com apenas quatro quadras, que terminam na Lagoa das Lágrimas, trazem um nome com muita história. Belmiro de Miranda foi um escravo comprado em Maceió por um fazendeiro de Guarapuava pra construir um casarão.

Em nossa trajetória passamos agora pelas ruas Belmiro de Miranda e Professor Becker

O escravo desenhava plantas de casas, era carpinteiro, pedreiro, e especialista em construções de taipa. Em suas folgas Belmiro aproveitava o tempo para administrar outros casarões. Com esta atividade acabou juntando algum dinheiro. É aqui que começa a sua luta. Belmiro de Miranda foi quem organizou a campanha abolicionista em Guarapuava. Com o dinheiro que tinha ganhado, comprou a liberdade da escrava Esydia Ephigênia, com quem se casou algum tempo depois, quando foi libertado por testamento pelo seu dono.

Junto com Esydia Belmiro construiu o hotel de viajantes ‘Redenção’. Por meio disto foi possível que atuassem na campanha de abolição da escravatura, os dois compraram a liberdade de 50 escravos ainda antes da abolição.

Rua Belmiro de Miranda

Seguindo com o passeio, no final da rua Belmiro de Miranda chegamos à Professor Becker. A estudante Claudia Marx afirma que esta rua faz parte de seu cotidiano. “Passo todos os dias por ela, a Professor Becker faz parte do meu trajeto de casa até a faculdade, mas para falar a verdade não sei quem foi ele”. Para a Claudia e para todos que tem curiosidade de saber por que este professor tem uma rua em sua homenagem, trazemos um pouco sobre este personagem histórico.

Professor João Rodrigues Becker y Silva nasceu na Argentina. Como ex-oficial do exército argentino veio para Guarapuava, onde fundou o Instituto Becker ou Internato Professor Becker em 1902. O professor ajudou no desenvolvimento da educação na cidade e fundou o primeiro grupo de escoteiros. Becker se destacou no magistério em todo o Paraná.

Rua Professor Becker, que cruza em frente à Lagoa das Lágrimas com a Rua Belmiro de Miranda

Continuamos o passeio na próxima matéria!

Editado por Giovani Ciquelero

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Começando a trajetória nas Ruas de Guarapuava

Katrin Korpasch

Nós começamos nosso passeio pelas ruas de Guarapuava no Bairro Santa Cruz, na Avenida Serafim Ribas. Esta avenida liga a PR-170 à cidade. Serafim Oliveira Ribas nasceu em 1851 em Guarapuava e montou em 1892 por conta própria a primeira tipografia de Guarapuava. Algum tempo depois fundou o primeiro jornal da cidade, “O Guayra”. Para conseguir os materiais e máquinas necessários para o jornal, que tinha como redator Luiz Daniel Cleve, teve que carregá-los no lombo de animais por entre as matas, já que naquela época Guarapuava não tinha estradas que ligassem a cidade a outras. Com o passar dos anos, Serafim Ribas vendeu o jornal e passou a ser comerciante em Imbituva, e depois mudou-se para Curitiba. Novamente em Guarapuava, dedicou-se a Frederico Blum, sua casa comercial.

Observe no mapa o nosso ponto de partida

Dando continuidade ao nosso passeio, fazemos uma conversão à direita e pegamos a via que homenageia um grande cientista, a rua Albert Einstein. Em seguida passamos para a rua Afonso Botelho. Afonso Botelho de Sampaio e Souza foi mando pela Coroa Portuguesa para tomar posse dos campos guarapuavanos. Chegou aqui no dia 8 de dezembro de 1771 quando mandou rezar a primeira missa.


Avenida Serafim Ribas liga a BR-170 à cidade

Ele explorou os campos de Guarapuava e mudou o nome do rio Capivaruçu para Rio Jordão, onde procurava por minerais preciosos e quase se afogou. Por ameaças e medo de ataques de índios, Afonso Botelho e seus companheiros partiram de Guarapuava e suspenderam a vinda de novas expedições, por isso a conquista de Guarapuava só foi retomada quase 40 anos depois.
Nosso passeio continua na próxima matéria. Até lá!

Editado por Ana Carolina Pereira

sábado, 22 de outubro de 2011

Nomes de personalidades históricas em ruas: como surgiu esta ideia?

Katrin Korpasch

A maioria das vias têm nomes de personalidades históricas. Câmaras Municipais de todo o país optam por homenagear estes personagens, em Guarapuava não é diferente. Segundo o professor de História da Unicentro, Ariel Pires este padrão deveria ser repensado em alguns casos. “Na verdade eu acho que é falta de criatividade dos vereadores. Nós temos muito essa coisa de tradição, então é tradicional você dar nomes as ruas de personagens históricos, no sentido cargo, poder, na verdade é a classe dominante que está dando nomes pras ruas, por isso é que aparecem os nomes deles. Mas por que só valorizar esses símbolos, e não homenagear o trabalhador do cotidiano, o negro, o índio, por que ficar dando nome de quem foi deputado, vereador.” Por outro lado esta prática também se relaciona a um certo medo de esquecimento, ou rompimento. “As pessoas tem certo medo de se desligar do passado por que também é uma questão de identidade”, reitera.
Para entender o porquê desta tradição, é necessário voltar no tempo. Logo depois do estabelecimento da república no Brasil, entre o final do século XIX e início do século XX, se instituiu a organização das cidades. De acordo com o professor naquela época se convencionou a nomeação das vias. “Dar nomes às ruas era uma questão óbvia de que as pessoas teriam que ter seus endereços. E assim que se instalou o serviço nacional dos correios, se precisava ter os nomes das ruas definidos”.
No início do século XX, os primeiros republicanos se encontravam na missão de ‘dar uma cara’ ao Brasil, definir a identidade da nação, da nova república que estava surgindo. “A maior parte do grupo que estava discutindo este assunto, querendo dar uma identidade pra república nascente, decidiu por uma filosofia, um fundamento político que seguisse um modelo já existente. Então esses republicanos optaram pelo modelo positivista, que é uma filosofia, um jeito de pensar, uma forma de governar, que surgiu na França em início do século XIX”, explica o professor. O lema do positivismo ‘ordem e progresso’, foi adotado e colocado até na bandeira nacional.
Alguns desses primeiro republicanos foram Silva Jardim, Benjamin Constant, Quintino Bocaiúva, Marechal Deodoro da Fonseca, Marechal Floriano e Saldanha Marinho. Eles mesmos tiveram seus nomes postos em muitas ruas pelo Brasil. “O positivismo enaltece mais o sujeito da história, e não o objeto. Nesse sentido várias câmaras municipais decidiram homenagear muitos desses nomes, que trouxeram essa idéia pro Brasil. Pode se observar que essa prática continuou, a maioria dos municípios brasileiros ainda dá nomes de pessoas às ruas”, completa o professor.

Rua Quintino Bocaiúva:
Rua Saldanha Marinho:
Rua Quintino Bocaiúva e Saldanha Marinho são exemplos de ruas nomeadas em homenagem aos primeiros republicanos

Editado por Helena Krüger

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Ponto de Partida: As ruas de Guarapuava



Katrin Korpasch

A partir de hoje estreia uma nova série no site Ágora, a “As ruas de Guarapuava”. Nas próximas matérias abordaremos um assunto que está sempre em nosso cotidiano e que talvez por isso, por estar tão presente no dia a dia, nem nos damos conta da sua importância. Para enviar uma correspondência, definir uma rota, chegar a determinado lugar, para se localizar, precisamos saber os nomes da ruas para muitas coisas, mas afinal nem sabemos por que determinada rua tem tal nome, quem a nomeou assim, por qual motivo.


Lidamos com nomes de ruas todos os dias, mas nem sempre sabemos quem foram as pessoas que lhes dão o nome


A série “As ruas de Guarapuava” pretende discutir um pouco desta história, mostrar quem foram esses personagens, o que fizeram, o que significaram. Trataremos também do contexto geral, por que damos nomes de pessoas às ruas? Quem decide a personalidade a ser homenageada? Como ocorre este processo? Faremos um passeio por Guarapuava em que discutiremos estes pontos.
O ponto de partida da série busca responder as duas últimas perguntas. Para começar vamos entender como ocorre o processo de nomeação de uma via.
A determinação sobre como uma via será nomeada acontece na Câmara de Vereadores. Os vereadores da cidade compõem um projeto de lei que precisa ser aprovado pela maioria em três votações. “A maioria dos vereadores tem que votar a favor, hoje nós somos em 12 vereadores, tem que ser no mínimo sete votos”, explica o presidente da Câmara de Vereadores de Guarapuava, Admir Strechar. Segundo o vereador as sugestões para nomes de ruas geralmente vêm da própria comunidade. “Muitas vezes são moradores que nos procuram querendo homenagear outras pessoas, que já faleceram e que fizeram alguma coisa pelo município de Guarapuava. É feito um levantamento, visto se a pessoa realmente fez algo por Guarapuava, depois é feito o projeto de lei e colocado em votação”. Depois de aprovada pelos vereadores, a lei segue para a prefeitura, onde é sancionada pelo prefeito. A partir deste momento a via recebe o nome escolhido.
Mas quando a proposta é mudar o nome de uma rua o processo torna-se um pouco mais demorado. Antes da criação do projeto de lei é necessário recolher assinaturas de cerca de 80% dos moradores da via aprovando mudança de nome. Só então é possível propor o projeto de lei. “É feito um abaixo assinado, se os moradores concordarem a gente faz o projeto de lei, que é votado, só então é trocado o nome da rua”, explica.

Editado por Helena Krüger