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domingo, 20 de novembro de 2011

Estudo aponta dados quantitativos guarapuavanos

Yorran Barone

Levantamento realizado pelo IBGE revela que evolução populacional chega há 18%

Na última pesquisa efetuada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Pesquisa (IBGE) foi constatado leve crescimento populacional em Guarapuava, além de apontar outros dados quantitativos locais.

Segundo o estudo, o crescimento foi de 18,8%. Há cerca de onze anos, nosso município possuía 155.161 habitantes. Atualmente, os números chegam há 167.328, espalhados por uma área de 3.116 km².

Outro dado relevante reside no predomínio identitário populacional. Crianças de 0-4 anos, do sexo masculino, figuram a maior parte dos munícipes, preenchendo 14,3%, que totalizam 8.579 indivíduos. De mesma faixa etária, vêm em seguida, com 13,8%, em um total de 8.276. Interessante é que a pirâmide etária segue uma decrescente a partir da evolução de idade da população.

Do outro lado da tabela estão as pessoas de menor concentração, pois são apenas 14 os idosos de 90-94 anos.

Dados apontam

O levantamento revelou, ainda, outros itens quantitativos de nossa cidade. Em se tratando de Produto Interno Bruto (PIB) foi descoberto que o foco reside nos serviços. De todos os bens e serviços finais produzidos, 2.033.079, constatou-se que 1.478.089 integram aos serviços, cerca de 72%. Os outros 28% dividem-se em indústria, 397.096, e na agropecuária, 157.894.

Para o Geógrafo e professor, lotado no Departamento de Geografia da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), Cleyton Silva, estes serviços abastecem o consumo local, diferente do que ocorre em outras regiões. “Na discussão sobre a modernização do campo, que culminou no atual quadro, várias cidades são elos da economia pelos serviços. Esses, ligam-se a três tipo de consumo: o produtivo e o consultivo, que estão fora do município, portanto sua produção ocorrem em outro lugar, e o das famílias, que o caso de Guarapuava”, explica. “O abastecimento ocorre sob uma infinidade de pequenos e médios comércios voltados ao consumo das famílias, de classe média para baixo”.

No quesito educação revelou-se, ainda, uma tendência que difere da constatada na pirâmide etária, ou seja, concentração de educadores e instituições de ensino a pré-adolescentes. Dos 2.032 professores presentes, 13.369 (67,7%), são do ensino fundamental, 565 (27,9%), do médio e os 88 restantes (4,4%), da pré-escola. Além disso, das 145 escolas, 84 (57,9%), 31 (21,4%) e 30 (20,7%) preenchem os educandários de fundamental, médio e pré-escola respectivamente.

Em se tratando de saúde, Guarapuava possui 95 estabelecimentos. O foco reside nos recantos privados, com 51 (53,7%) além de outros 42 municipais (44,2%) e dois estaduais (2,1%) Destes, não há federais.

Por fim, foi constatada a frota local de veículos, 67.302. Os automóveis alcançam a marca de 42.116 (62,6%). Motonetas com 9.099 (13,5%) e camionetes, com 6.432 (9,6%) completam o ranking

Editado por Vinicius Comoti

sábado, 5 de novembro de 2011

Estudo aponta que significado da palavra Guarapuava pode ter três significados


Yorran Barone

Tradução, que é na língua Guaraní, remete a pássaro feroz, local onde os lobos vão caçar ou som das árvores

Nosso município possui curiosidade pouco conhecida. Se levarmos ao “pé da letra”, muitos vão pensar que a tradução do nome “Guarapuava” significa “Lobo Bravo”. Contudo, sob detalhes históricos e culturais, esta designação pode levar a diferentes caminhos.
Segundo José Adilson Campigoto, coordenador do mestrado em histórica pertencente ao campus de Irati, da Universidade Estadual do Centro-Oeste, e que possui pesquisas sobre o assunto, isto ocorre devido às várias traduções da palavra. “Existe uma literatura muito grande sobre o tema, ou seja, várias versões. A palavra Guará ou Guirá, na língua Guarani, é homônima de planta, de um pássaro vermelho, além do próprio lobo”, conta.
Entre os significados, Campigoto destaca que uma das mais conhecidas reside no termo Guarapuap ou Guirápuap, que remete a ave feroz, heróica ou libertina. “Os bandeirantes quando chegaram nesta região, teriam capturado uma espécie de papagaio que não queria ficar preso. De tanta infelicidade, o pássaro teria cortado a própria perna com o bico e, a partir do fato, a nomenclatura teria ficado”.
Outra possibilidade aponta como “lugar ou campo onde os lobos vão caçar”, além de uma terceira que designa ao som da árvore Guará. “É meio estranho este vocábulo para as pessoas da cidade, pois notamos que árvores não transmitem sons. Contudo, se morássemos na floresta saberíamos que a mesma faz barulho, quando o vento forte bate”.

Tradução equívoca


Tradução para Lobo Bravo pode ser errônea

No próprio caso citado outra curiosidade, talvez ainda menos conhecida, também merece relevância. Apesar da tradução em Guarani, nossa região fora, na verdade, habitada por índios da tribo Kaygang.
A decisão na época pode ser correlacionada ao que ocorre com a língua inglesa, atualmente. “O Guaraní era uma língua diplomática, falada pelos demais povos. Os exploradores aprenderam a língua que era mais popular, “útil” e que permitia maior acessibilidade com outros povos”, conta Campigoto.
Ocorreu o mesmo com alguns rios, como o Paraná (tradução em Guaraní) que, ainda, é conhecido por Goioban (tradução em Kaigang), termo lembrado, apenas, por estudiosos e especialistas.

Editado por Helena Krüger

sábado, 29 de outubro de 2011

Diferenças “identitárias” e práticas discriminatórias marcam o histórico Guarapuavano


Yorran Barone


Inaugurado na década de 20, o Leprosário São Roque foi peça importante na difusão de preconceitos e pesquisas em saúde

Grupo de homens, mulheres e crianças eram denominados leprosos

Com o intuito de isolamento e pesquisa, além de princípios preconceituosos a leprosos, nosso município quase foi sede de histórico prédio fundado na década de 20. Nesta época, faltou pouco para se confirmar a instalação do Leprosário São Roque, edifício ainda vigente e que teve significativo impacto na história paranaense.
Quando fora anunciada a visita do Cônsul polonês a Guarapuava, que pretendia analisar as terras e, consequentemente, trazer imigrantes, o então prefeito Romualdo Antônio Baraúna implantou uma política para a solução dos leprosos, doentes vistos como um problema e que figuravam relativo número em nosso território, que, na ocasião, pertencia a quase metade do estado.
Como estes ainda eram vítimas de preconceito, esta prática visou excluir qualquer premissa de local insalubre, além de promover outra iniciativa excludente, a de “embraqueamento” da população, que capacitaria o Brasil nos moldes europeus.
A professora do Departamento de História da Universidade Estadual do Centro-Oeste - UNICENTRO, Beatriz Olinto, autora do livro “Pontes e Muralhas: Diferença, Lepra e Tragédia”, que possui pesquisas sobre o assunto, conta que a Lepra era considerada um problema, além de uma profilaxia identitária e quando constatada, influenciava diretamente nos aspectos pessoais do indivíduo. “Esta deteriorava a identidade. Se confirmada, o nome sujeito ficava em segundo plano. Se antes era chamado de João, passara a ser conhecido por Leproso João”, relata.
Com a não instalação em Guarapuava, o município de Piraquara, pertencente à região metropolitana de Curitiba, foi o escolhido para a construção e promoveu sua inauguração em 20 de outubro de 1927. Deste modo, todos os leprosos do estado foram internados lá obrigatoriamente. “Isto ocorria, pois não havia cura e este período era fora de grande crença na capacidade da ciência. A Lepra era vista como os pés de barro da técnica”.
Apesar das premissas discriminatórias e de isolamento já citadas, pesquisas em prol da cura também figuravam os motivos desta construção, tanto que a mesma fora descoberta. “Neste período, o Paraná recebia demasiado investimento na saúde. O Leprosário era de última geração e contava com cinema, teatro, quadras esportivas, entre outros. No início dos anos 40, este foi o primeiro a trabalhar com o tratamento por sulfona, diagnosticado como a primeira cura da doença”, explica Beatriz. “O grande problema residia no modelo, que era autoritário e obrigava o isolamento”.
Há, também, relatos daqueles presentes no instituto. Segundo Beatriz, foram várias as experiências compartilhadas no local. “Alguns fugiam para reencontrar familiares, outros se suicidavam e, ainda, ocorreram alguns relacionamentos, culminando em casamento”, finaliza.

Significativos Reflexos

Guarapuava por pouco não sediou o Leprosário São Roque

Quase noventa anos após a instalação, o Leprosário ainda funciona sob a denominação de Hospital Dermatológico do Paraná, que é referência no tratamento da Hanseníase, uma designação da Lepra, implantada em 1976 devido ao estigma dado a esta denominação e também ao fato de que atualmente, com os avanços tecnológicos, novas nomenclaturas foram criadas.
Ocorreu, ainda, em 2007, iniciativa federal que beneficia as famílias dos indivíduos internados a força. De acordo com o decreto 6.168, de 24 de julho de 2007, os pacientes que sofreram tais atitudes em todo o país, até 1986, terão direito à pensão vitalícia mensal no valor de R$ 750.
A Lepra pertence às doenças mais antigas do mundo e há relatos de pelo menos 4000 anos, sendo os primeiros registros encontrados no Egito antigo.

Editado por Helena Krüger