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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

ONG atende crianças e famílias em situação de vulnerabilidade social


Luciana Grande

O Centro de Nutrição Renascer, que possui sede em Guarapuava, foi fundado em 1989. A iniciativa partiu da de duas médicas pediatras que perceberam a situação de desnutrição e extrema pobreza em que vivam algumas crianças e famílias em certos bairros da cidade. Então, decidiram começar um trabalho voluntário para atender essas pessoas, fundando esse instituto.
Desde então, por um longo tempo, o centro continuou trabalhando com essa finalidade, buscando não só melhorar as condições de nutrição das crianças, como também promover a emancipação das famíliaa, já que focar apenas no atendimento infantil não ia surtir os resultados esperados. No entanto, conforme os anos foram passando, surgiram várias políticas públicas a nível nacional e estadual para amenizar a situação de desnutrição no Brasil. De acordo com a assistente social do Centro de Nutrição Renascer, Michele Vieira, essa questão já está bem mais amena do que quando a entidade foi fundada. Por tal razão, neste ano, o instituto direcionou suas atividades para a área de assistência social como um todo. “Apesar de continuar com o mesmo nome, a maior vertente do centro hoje é a reabilitação social da criança com deficiência física e mental, visando, também, o atendimento à família. Mas continuamos trabalhando com a questão da nutrição”, explica a assistente social.

O Centro de Nutrição Renascer foi fundado há 22 anos

Atualmente, o Centro de Nutrição Renascer possui uma equipe multidisciplinar de profissionais, com assistentes sociais, psicólogos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, fisioterapeutas e médicos pediatras. Tudo isso visando um atendimento completo. “Tem famílias que nós atendemos aqui que não têm nem saneamento básico. Alguns pensam que essa é uma realidade apenas de países africanos, mas não é. Isso existe muito perto de nós”, comenta a assistente social.
Michele explica que essa entidade é uma organização não governamental (ONG) que sobrevive por meio de doações, de um auxílio da secretaria municipal de assistência social e, principalmente, de ações que dependem da boa vontade da comunidade. “A ajuda do município não é suficiente para manter a entidade funcionando. É preciso angariar recursos em parceria com a comunidade, já que todos os serviços são gratuitos. Por meio de ações, projetos, e doações a gente consegue manter o centro em funcionamento”.
Além disso, ela ressalta que, hoje, a intenção é mostrar que o instituto não atende exclusivamente crianças em situação de desnutrição. “O nosso trabalho vai muito além, mas a maioria das pessoas não sabe. Até pensamos em mudar o nome, mas é um processo burocrático e complicado”, conta.
A dona de casa Neuza Rosa toda a semana leva a filha Sara, de dois anos e meio, até o Centro de Nutrição Renascer. Ela freqüenta o local há mais de um ano. Sua filha foi diagnosticada com má formação cerebral pouco tempo depois de nascer. Então, após a indicação de uma pediatra, começou a levar Sara para realizar o tratamento, que inclui sessões com uma fisioterapeuta, uma psicóloga, uma fonoaudióloga e uma terapeuta ocupacional. É um bom exemplo de que o trabalho realizado no local é multidisciplinar. “Quando ela começou a se tratar aqui era bem ‘molinha’, nem segurava o pescoço, ninguém tinha certeza se um dia ela ia conseguir andar. Mas hoje ela já anda se apoiando”, conta a mãe de Sara. Segundo Neuza, o atendimento é ótimo, todos os médicos são atenciosos e carinhosos com a sua filha. “É muito melhor do que um hospital público. Aqui tem tudo que a Sara precisa”.
Neuza leva há um ano a filha Sara até o instituto

Programas e projetos
Segundo Michele, o Centro de Nutrição Renascer atende cerca de 1000 pessoas durante o ano. Por isso, é preciso que o trabalho seja muito bem estruturado e organizado. Existem três programas principais (que incluem outros projetos) que regem a instituição:

• Programa de Promoção e Apoio Sócio Familiar: visa prevenir situações de exclusão e vulnerabilidade das famílias, por meio de encontros formativos e cursos profissionalizantes (como o de artesanato), a fim de promover a geração de renda e a cidadania. Dentro desse programa há o projeto de Informática, que promove curso desse gênero para adolescentes e o projeto de atendimento a crianças com autismo, com o envolvimento de suas famílias e da comunidade no processo de proteção e inclusão social. Há, também o projeto crescer (brinquedoteca) que tem por objetivo desenvolver atividades com as crianças enquanto as famílias estão participando do programa em questão.
• Programa de Atendimento Integral à Criança em Situação de Insegurança Alimentar e Nutricional: voltado para famílias em situação de extrema pobreza, o que resulta em um estado de desnutrição das crianças. O serviço inclui atendimento pediátrico, nutricional e social, com vista a alternativas emancipatórias ao núcleo familiar, a fim de prevenir a fome e a miséria. Este programa inclui o projeto viver bem, com o intuito de promover a educação e orientação alimentar dessas pessoas, e o projeto oficinas do saber, que visa a capacitação profissional e a melhoria na qualidade de vida de pessoas em situação de vulnerabilidade social.
• Programa Reabilita Renascer – Reabilitação Social da Criança com Deficiência na Comunidade: destinado, principalmente, a crianças até seis anos de idade, que possuem deficiência física ou mental, bem como para seus familiares. A intenção é prevenir a invalidez permanente, que gera transtornos para a criança.


Mulheres durante o curso de artesanato

Doações
O Centro de Nutrição Renascer recebe vários tipos de doações, como alimentos, fraldas, leite etc. De acordo com a assistente social Michele, qualquer ajuda é bem vinda. “Não há burocracia. Quem quiser contribuir basta entrar em contato conosco”. Porém, a necessidade maior são doações em dinheiro, para que a rica equipe de profissionais possa ser mantida.
Atualmente, a maior parte das doações está focada nas contribuições mensais e, principalmente, na destinação de parte do imposto de renda. Para entender como funciona esse processo, basta ler a reportagem feita por Gabriela Titon ao Ágora Online: http://agoraunicentro.blogspot.com/2011/07/destinacao-do-imposto-de-renda.html.

Contato
Endereço: Rua Frei Caneca, 25 – Santana
Telefone: (42) 3621 4530
Site: www.centronutricaorenascer.org.br

Editado por Gabriela Titon

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Filhos do Coração!


Helena Krüger

Canaã: a esperança de um novo lar

No Brasil, segundo relatório do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), 80 mil crianças e adolescentes vivem em abrigos no país e apenas cerca de 8 mil (10%) podem efetivamente ser adotadas. Esses meninos e meninas vivem sem ter o direito à convivência familiar, requisito básico no Estatuto da Criança e do Adolescente, além disso, as condições de vida dessas pessoas ferem outro princípio fundamental, que é o da dignidade humana.

Uma entidade mantida por missionários americanos, o Canaan Land Ministries (CLM), chamada no Brasil, de Associação Canaã de Proteção aos Menores, chegou há 12 em Entre Rios com a missão de abrigar e dar segurança a crianças como essas, que moravam nas ruas ou foram abandonadas pela família. O Canaã tem como objetivo criar ambientes seguros, educar com maior amor possível e também ensinar os valores cristãos. Mary Gibson, hoje ex-diretora do CLM Entre Rios, foi uma das fundadoras da instituição no Brasil. “A proposta é recolher crianças que foram abandonadas, rejeitadas, abusadas e que vem para nós através do Juiz de menores ou pelo Conselho Tutelar”.

Desde 2009, com ajudas filantrópicas tanto brasileiras quanto americanas, a instituição conseguiu construir um abrigo em uma fazenda de Entre Rios. O Canaã fica localizado em um local bonito, com uma estrutura que oferece conforto, lazer e principalmente proteção. Apesar de não ser o ideal, já que o lugar dessas crianças deveria ser amparadas em um lar, a entidade tenta suprir com muita dedicação o amor e o carinho que eles não receberam em casa. “Tentamos dar o máximo de amor para que eles se sintam parte do que chamamos de família Canaã, eles são como filhos para nós”, diz Mary.

Fotos: Arquivo da Associação Canaã
O Canaã é um abrigo para crianças e adolescentes mantido por missionários norte- americanos


Hoje, a associação abriga 28 crianças e adolescentes, cada um com uma história de dor, muitos conviveram com realidades de extrema pobreza, rejeição, abuso e sofrimento. Vivências que agridem a pureza e a ingenuidade da infância. Uma fase em que a maior preocupação deveria ser apenas brincar, se divertir e crescer . O CLM também tem uma sede no município de Turvo desde 2006, com capacidade para 35 a 40 crianças. Além dos abrigos, a entidade mantem o Programa CLM Plus, que é destinado a jovens adultos que estão terminando o ensino médio e precisam deixar o a associação quando completam a maioridade. O projeto tem o papel de orientar e encaminhar os jovens para uma universidade. Mary explica a intenção desse do CLM Plus. “A vantagem desse programa é que desenvolve cursos para que os adolescentes alcancem a independência, os prepara no momento de transição, enquanto estão ainda amparados pelo CLM”.
Apesar de ser um entidade que desenvolve um ótimo trabalho, não se pode ver os abrigos como uma solução. Ao contrário, são locais que deveriam ser temporários, mas infelizmente muitas crianças passam anos sem ter garantido o seu direito.

A educação das crianças é baseada em valores cristãos e incentivo ao trabalho


O caso de uma garota que vive no Canaã exemplifica uma situação de abandono. R.C* tem 7 anos, e mora há dois anos na instituição. A menina que diz ter o sonho de ser bailarina quando crescer, foi retirada da mãe biológica e ainda sonha em ter um novo lar . “É que lá na minha casa não é uma família de verdade, não acho que ela seja a minha mãe mesmo, aqui eu me sinto mais amada”. Mesmo gostando de morar no Canaã, ela diz não quer continuar morando ali por muito tempo e fala sobre o seu medo de ficar sozinha e ser adotada sem a irmã. “Eu queria tanto uma família, onde eu me sentisse querida, mas eu quero que minha irmã junto comigo”.

No CLM a assistência vai muito além do material, a preocupação com emocional e a criação de vínculos é essencial

Josiane Ribeiro, hoje pedagoga é um exemplo de alguém que morou no CLM e depois de adulta voltou como voluntária. Ela veio para o Canaã com 11 anos e passou sua adolescência na entidade, quando completou 18 anos recebeu apoio para cursar pedagogia em Curitiba, onde conheceu o seu marido. Depois de alguns anos, Josiane está novamente no Canaã, mora em Entre Rios realizando trabalhos com as crianças assistidas pelo instituto. “Nunca consegui me desligar daqui, e decidi que queria passar para frente aquilo que aprendi aqui”. Ela destaca que o amor que recebeu ali precisava ser retribuído. “É muito bom estar aqui, me sinto até como uma mãe para eles, e acredito que eu posso fazer a diferença na vida deles, já que eles fazem a diferença na minha”.

A moradora de Entre Rios, Clara Milla é uma das pessoas que ajuda as crianças do Canaã, mesmo sem adotar, ela é uma espécie de madrinha de uma menina, já que se propõe a pagar os estudos em um colégio particular e também acompanhar o seu desenvolvimento escolar. “Para gente é muito gratificante ajudar uma organização que faz um trabalho voluntário em nosso distrito”.

O 4º artigo do Estatuto da criança e do Adolescente, talvez seja um dos que mais resume o que seria o mais adequado a uma criança. “É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do Poder Público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária”.Como uma forma de amenizar esse sofrimento, segundo Mary, “o Canaã continua realizando o seu trabalho e levando um pouco de luz para aqueles que vivem na escuridão”.

Crianças trabalhando em conjunto para preparar os enfeites de Natal no abrigo

Josiane enfatiza o porque o CLM é especial “ O diferencial aqui são as pessoas, que demonstram carinho, amor, atenção e dedicação para cada pessoa que está aqui”.

*O nome foi preservado por se tratar de menor de idade em situação de risco

Adoção

Hoje, entende-se que a primeira solução para o menor é resgatar o vínculo e se trabalhar com a família de origem, tentando encaminhar essa criança até a chamada família extensa (tios, avós), mas quando isso não é possível a adoção é uma alternativa.

Para se adotar uma criança, segundo a assistente social da Vara da Infância e da Juventude, Luciana Almeida a pessoa precisa passar por algumas etapas. “Inicialmente, o casal deve se dirigir a um curso de apoio a adoção, depois é encaminhado para uma entrevista no Fórum. Só então que deve ser levada toda a documentação para se efetuar o cadastro. Posteriormente, o casal entra em uma fila de espera cronológica.” A assistente social, destaca que é necessário que o casal tenha preparo e maturidade emocional para realizar uma adoção, já que muitas crianças são adotadas e depois são novamente rejeitadas, ocasionando um processo ainda mais traumático. “Infelizmente, muitas crianças ficam de fora do processo, porque há perfis mais procurados, como de 0 a 4 anos, até conseguimos encaminhar adolescentes, mas é uma exceção”.

Para diminuir as dificuldades e morosidade nos processos de adoção, desde 2008 o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) criou um Cadastro Único Nacional de Adoção, que reúne o perfil das crianças e dos possíveis pais adotivos para que juízes possam acompanhar o processo de maneira mais fácil.

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Outras informações: adotabrasil.org.br

Como ajudar

Associação Canaã de Proteção aos Menores

Endereço:
Faz Canaã, s/n Cachoeira – Entre Rios / Guarapuava - PR
CEP: 85.108-000

Tel:(42) 3631-1019

Email: clm@donau.com.br

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Editado por Vinicius Comoti

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Por uma noite de natal mais feliz


Luciana Grande

O natal costuma trazer consigo um espírito de paz, alegria e esperança, principalmente para as crianças, que sonham com as surpresas que essa noite mágica pode proporcionar. No entanto, muitas não vêem esse sonho se tornar realidade, devido à falta de condições financeiras das suas famílias. E foi pensando nelas que um grupo de voluntários de Guarapuava está trabalhando no projeto Natal da Criança, que já existe há mais de 10 anos. Para eles, o sentimento natalino mais intenso é o de solidariedade.
Os voluntários se reúnem cerca de três vezes por semana para consertar brinquedos usados que são doados pela comunidade. Nesses encontros, eles penteiam o cabelo e fazem roupas para bonecas, consertam carrinhos, lavam ursos de pelúcia, entre muitas outras coisas. Depois disso, os brinquedos são embalados em papel de presente. De acordo com Andreia Ribeiro, professora de dança e coordenadora do Natal da Criança, tudo é feito com muito carinho e cuidado para levar até as crianças a magia dessa data especial. “A gente conserta todos os brinquedos, de um por um, sendo que todos eles são embalados, justamente pra que os pequenos entrem no clima do natal, da expectativa de abrir o presente. Se não fosse assim, não teria graça”.
Esse ano, o grupo pretende atender cerca de 800 crianças de cinco bairros da cidade, em especial o Santana e o Guará. Por essa razão, o projeto exige muito esforço e dedicação dos voluntários, desde o trabalho de reparo nos brinquedos até o evento de entrega destes. Mesmo assim, Andreia pretende continuar com o Natal da Criança até quando puder. “Não tem maior gratificação do que ver a alegria, o brilho nos olhos das crianças depois”, comenta.
A entrega dos brinquedos é feita sempre no dia 24 de dezembro, a partir das 13h, no Espaço Cidadão do bairro Santana. Nesse dia, além de receberem os presentes, as crianças podem desfrutar de uma tarde de lazer e diversão. Isso porque o grupo de voluntários faz um lanche caprichado (com cachorro quente, bolo de chocolate, pipoca, sorvete, algodão doce, suco e refrigerante) e, ainda, se vestem como personagens infantis e fazem brincadeiras. “Nós vamos até a casa das crianças e entregamos um convite para elas para que venham passar a véspera de natal com a gente. Nós sempre conseguimos entregar pelo menos um brinquedo para cada criança que vai até lá”, conta a coordenadora do projeto.
Tatiane Oliveira é prima de Andreia e está participando do projeto pela primeira vez, mas pretende ajudar em todos os anos daqui para frente. “Eu acho que estou mais ansiosa do que as crianças para o dia de entrega dos brinquedos. Acho lindo ver a satisfação delas, poder permitir que sonhem e saibam que alguém se importa com elas”.
O estudante Bruno da Silva, de 15 anos, também está participando pela primeira vez do Natal da Criança. Ele é vizinho de Andreia e ajuda no reparo de brinquedos sempre que é chamado. “É bom estar aqui porque esse sentimento de ajudar quem precisa é um presente pra mim também”. Ele conta que não se importa em perder algumas horas do dia penteando cabelo de bonecas e consertando carrinhos.

Os jovens se divertem ajudando no projeto

As doações

Segundo a coordenadora, quando esse projeto começou, o grupo atendia cerca de 70 crianças apenas. Por essa razão, eram arrecadados somente brinquedos novos diretamente em lojas. No entanto, o crescimento do Natal da Criança trouxe a necessidade de aumentar essa demanda. O grupo, então, decidiu arrecadar doações de brinquedos usados e fazer todos os reparos necessários para que eles ficassem parecendo novos.

Andreia já está ensinando a filha a doar os brinquedos quando não usar mais

Andreia conta que eles recebem muitas doações, mas que precisam de ainda mais. “Acaba saindo muita coisa do nosso bolso, como os papéis de presente, cola, durex... O ideal seria conseguir o patrocínio de algumas empresas que contribuam financeiramente, aí poderíamos expandir o projeto. O nosso sonho é de um dia atender a cidade inteira”.
Atualmente as principais necessidades, de acordo com a cooordenadora, são brinquedos de menino e doações em dinheiro, para que eles possam comprar materiais como cola, durex e embalagens. Porém, eles aceitam qualquer tipo de doação para as crianças. “A gente precisa de pães, refrigerante, retalhos, papéis de presente. Se a pessoa quiser também pode doar roupas. Esse ano eu recebi até um colchão que repassei para uma família carente”.
Os interessados em contribuir com o Natal da Criança devem entrar em contato pelos telefones: (42) 3623 2918 / 3626 2171 ou 9955 0524. Então, a doação poderá ser combinada com a coordenadora do projeto. “Se a pessoa não puder trazer, a gente vai buscar onde os brinquedos estiverem”, ressalta Andreia.

Os voluntários se reúnem cerca de três vezes durante a semana na casa de Andreia

Editado por Yarê Protzek

sábado, 29 de outubro de 2011

Um novo olhar para os Deficientes Visuais


Luciana Grande


A Apadevi (Associação dos Pais e Amigos dos Deficientes Visuais) é uma instituição sem fins lucrativos que tem por objetivo buscar soluções e alternativas para que o deficiente visual possa levar uma vida normal e independente. Além disso, um dos propósitos da entidade é proporcionar momentos de aprendizado, lazer e descontração aos participantes.
A instituição foi fundada há mais de 22 anos, em março de 1989, mas a sede atual existe desde 1998, data em que a Prefeitura Municipal fez a doação do terreno. Porém, a construção do prédio foi feita a partir de recursos próprios da Apadevi.
De acordo com Alexandra Cleve, diretora da Apadevi, a iniciativa de criar a entidade partiu de uma família, com o apoio da comunidade. “Uma mãe tinha um filho cego e aqui não existia nenhuma instituição de apoio para deficientes visuais. Então ela começou a fazer uma movimentação: procurou outras pessoas na mesma situação e foi assim que a Apadevi nasceu”.

Os alunos são atendidos individualmente a partir de um cronograma

Hoje, mais de 20 anos depois, a entidade possui cerca de 110 alunos com as mais variadas idades. “Aqui o nosso aluno mais novo tem quatro anos e o mais velho 84. Não há idade mínima e nem máxima para frequentar a Apadevi”, explica a diretora. No entanto, ela atenta ao fato de que a instituição só atende pessoas com deficiência visual (baixa visão ou cegueira). “O deficiente visual que quiser participar só precisa entrar em contato com a equipe, então vamos identificar as necessidades dessa pessoa. Nós também atendemos pessoas com múltiplas deficiências, desde que a visual seja uma delas”.

Os alicerces

A Apadevi possui uma parceria de repasse de recursos com a Prefeitura Municipal e a Secretaria Estadual de Educação. O município fornece o transporte, com vans e motoristas. O Estado paga os professores, que são todos concursados e especializados na área de deficiência visual. Além disso, o governo estadual disponibiliza uma verba extra uma vez por ano, para a compra de materiais de consumo permanentes.
Há, também, a ajuda de voluntários, que contribuem com dinheiro, doação de equipamentos, móveis ou com serviços, como aulas. Entretanto, segundo Alexandra, isso não é suficiente para manter a instituição, já que o restante dos materiais (limpeza, alimentação etc) é adquirido com recursos próprios da instituição. Algo que faz falta para a entidade, segundo a diretora, é uma assistente social e uma psicóloga.
“As pessoas não conhecem a Apadevi, não há divulgação suficiente da entidade. Por isso não há muitas doações. A gente vive no limite sempre, mas toda ajuda é bem vinda. Agora dia 19 de dezembro nós vamos fazer uma divulgação na XV de novembro, espero que isso ajude”, comenta.

No centro de conviência os participantes têm momentos de lazer e descontração

Atividades e projetos

A Apadevi trabalha com vários serviços de apoio ao deficiente visual. Há o OM (Orientação e mobilidade), que auxilia na locomoção dos cegos, oferecendo técnicas para que eles possam aprender a andar sozinhos, esperar um ônibus, utilizar a bengala ao passear na rua etc. Por essa razão, Alexandra ressalta o fato de que é fundamental os professores possuírem plena capacitação da área.
Outro serviço oferecido é o AVA (Atividade de Vida Autônoma), em que é trabalhada a independência do deficiente visual no dia-a-dia dentro de casa. “O AVA é uma casa que temos montada aqui no prédio, com sala, cozinha, quarto e banheiro. A gente ensina os alunos a tomar banho, pentear o cabelo, lavar roupa, arrumar a cama, preparar alguma coisa para comer, ensinamos as meninas a fazer a unha... Várias coisas”, conta a diretora.
A entidade trabalha, também, com o apoio à escolaridade, para alunos que já estão inseridos no ensino básico. Estes participam no período de contraturno escolar e costumam fazer adaptações de materiais, aulas de braile ou soroban, além de participar do AVA e do OM.
Alexandra explica que a maioria dos alunos da Apadevi tem mais de 30 anos. Por essa razão, a alfabetização em braile é muito mais trabalhada com os adultos.
Além dessas atividades, a instituição oferece aulas de artesanato, teatro, música, informática e estimulação visual. Há, ainda, encontros sociais entre os participantes, em que eles se divertem muito. “Toda sexta tem o ‘encontro do chimarrão’ no centro de convivência. Lá eles cantam, dançam, conversam, dão risada e se distraem. Isso é muito importante, principalmente para os idosos, porque em casa eles ficam deprimidos. Para eles a Apadevi é tudo. É uma vida que continua. Quando entram, não querem mais sair”, conta a diretora.
Alexandra comenta que existe uma professora que busca inserir os deficientes visuais no mercado de trabalho. Ela atua buscando oportunidades, como vagas de emprego, bolsas de estudo, cursos, feitio de documentos, entre outras coisas. Tudo isso para motivar os participantes, por isso muitos deles tem a Apadevi como uma segunda casa.
Esse é o caso de Heverton Luiz Rodrigues, que hoje tem 20 anos e é aluno da Apadevi desde os oito meses de idade. Segundo ele, na instituição passou a perceber o mundo de outra forma, aprendeu muitas coisas, teve contato com pessoas iguais a si e fez muitos amigos. “Eu gosto de todos os projetos daqui. A Apadevi só trouxe coisa boa para a minha vida. Acrescenta muito para mim estar aqui. É um lugar em que me sinto muito bem ”.
Heverton está no 3º ano do Ensino Médio e todos os dias, a tarde, vai até a entidade, já que sempre há alguma coisa diferente para fazer. Além disso, o jovem também está estudando para passar no vestibular de Jornalismo. “Eu sempre fui fissurado por música, tecnologia e essas coisas. Quando eu era criança pensava: ‘deve ser tão bom ficar na frente de um microfone, falando um monte de coisas’. Então desde pequeno eu sonho em ser locutor de rádio, por isso resolvi tentar vestibular para Jornalismo na Unicentro”. O rapaz, que mora com a mãe, orgulha-se de ser independente e correr atrás de seus objetivos.
“Muito do que eu sei e do que eu sou devo à Apadevi. Em casa eu faço praticamente tudo sozinho, moro só com a minha mãe e tenho que me virar. A única coisa que ainda não sei fazer é cozinhar, mas acho que se um dia precisar eu aprendo na marra (risos)”.

Heverton é aluno da Apadevi há mais de 20 anos e sonha em ser radialista

Como ajudar
Para contribuir com a Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Visuais basta entrar em contato com a equipe.
Telefone: (42) 3622 0617
E-mail: apadevigpva@gmail.com
Endereço: Rua Capitão Frederico Virmond, 3494

Editado por Mário Raposo Jr.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Ser diferente é normal


Luciana Grande

A Associação de Deficientes Físicos de Guarapuava (ADFG) tem como principais objetivos promover a inclusão do deficiente físico na sociedade e atuar na concretização dos direitos do mesmo. A instituição já existe há bastante tempo no município, visto que foi fundada em 12 de outubro de 1988. Hoje possui 180 membros ativos e 360 cadastrados.
De acordo com Antônio Marcos da Rosa, presidente da ADFG, a iniciativa de fundar essa entidade partiu dos próprios deficientes físicos. “Eles perceberam a necessidade de constituir uma instituição representativa, com condições de auxiliar na integração de outros deficientes, como também representá-los junto aos órgãos públicos e atuar na concretização de seus direitos”. Por essa razão, são estabelecidas parcerias com instituições públicas e privadas, que fornecem materiais, serviços e utensílios necessários para os associados. “Procuramos identificar a necessidade do associado e tentar viabilizar o seu atendimento, por meio dessas parcerias”, explica o presidente.

O curso de artesanato ocorre toda quinta-feira

Apesar de não ter sido idealizada por um órgão governamental, a ADFG vem sido mantida por meio de um convênio de repasse de recursos com a Prefeitura Municipal. No entanto, qualquer pessoa pode ajudar. Os associados podem contribuir espontaneamente com R$5,00 por mês, para auxiliar nas despesas operacionais e administrativas, já que a verba repassada pela Prefeitura não é suficiente para cobrir todos os custos. Mas, por se tratar de uma entidade filantrópica, a contribuição do associado não é obrigatória. Algumas empresas também auxiliam, o que reforça as finanças.
Além disso, a associação auxilia na melhora da qualidade de vida dos associados. Segundo Luci de Jesus, secretária da ADFG há mais de 10 anos, eles sente-se mais motivados. “Tem pessoas que não saem de casa, só saem para vir até a entidade”. Ela conta que há reuniões uma vez por mês para a tomada de decisões e um curso de artesanato toda quinta-feira. Há, também, um time de basquete que treina duas vezes por semana no ginásio Trianon. Eles já participaram de vários campeonatos. No mês passado conquistaram o 5º lugar numa competição em Ponta Grossa.
Edinéia Vieira é deficiente física e associada à ADFG há cerca de 15 anos. Ela conta que quando começou a participar, sua vida mudou para melhor, já que fez amigos, passou a sair de casa frequentemente e conheceu pessoas novas. “Eu gosto de tudo aqui na associação. Faço artesanato, converso com várias pessoas, tomo chimarrão”. No momento ela está se recuperando de um AVC (acidente vascular cerebral) que prejudicou seus movimentos motores, por isso não está fazendo peças artesanais, mas, mesmo assim, tem ido ao curso para se distrair.
Já Maria Salete Belli faz parte da instituição há 22 anos. Ela se associou logo que veio de Chopinzinho para Guarapuava, um ano depois da fundação da ADFG. Assim como Edinéia, ela conta que houve uma transformação intensa na sua vida. “Melhorou tudo. Antes eu me achava inferior, não saía de casa e nem tinha amizades, mas tudo isso mudou depois que entrei na associação”. Além disso, foi na instituição que ela conheceu o atual marido (também deficiente físico), com o qual teve um filho que hoje está com nove anos. “Eu tive paralisia infantil quando tinha apenas três anos. Achei que nunca ia ter um filho, mas até isso a associação trouxe para mim. Também voltei a estudar, terminei o Ensino Médio, trabalhei 10 anos nos Correios e me aposentei. Sou independente e muito feliz”. Maria Salete ressalta, também, o fato de que hoje existe muito mais acessibilidade para o deficiente físico do que antes, apesar de que ainda há bastante o que melhorar. “Hoje tem muita coisa boa, como rampas, banheiros adaptados, ônibus. Isso está facilitando a nossa vida. Posso dizer que de uns 20 anos para cá as coisas melhoraram 80%”.

Maria Salete é associada a ADFG há mais de 20 anos

Como contribuir
Para ser um sócio contribuinte da Associação de Deficientes Físicos de Guarapuava basta preencher uma ficha de associado. É importante ressaltar que são aceitas pessoas sem deficiência.
A ADFG fica na Rua Minas Gerais, 275, no Bairro dos Estados.
O telefone é o (42) 3622-9067

Editado por Helena Krüger

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

ONG atua na defesa dos animais

Gabriela Titon

É frequente avistarmos cães nas ruas, seja revirando lixos, atropelados ou mordendo pedestres. Os transtornos causados pela situação provêm, em alguns casos, do abandono de antigos donos. Enquanto um deles morre – por descuido de um motorista, velhice, doenças adquiridas por falta de cuidados e tantos outros motivos – vários estão nascendo, aumentando a superpopulação de cachorros que vagam sem rumo pelas calçadas.
Enquanto o descaso de alguns é comum, existem pessoas preocupadas com a questão. A Spag (Sociedade Protetora dos Animais de Guarapuava), que existe oficialmente há cinco anos, realiza ações para minimizar o problema.
Um dos trabalhos bastante conhecidos é a feira de adoção, na qual se encontram animais retirados das ruas que ficam abrigados no canil municipal. São recolhidos especificamente animais doentes, atropelados e, às vezes, cadelas grávidas. A prefeitura fornece o espaço, um funcionário, um veículo e alimentação. Em contrapartida, a Spag realiza o tratamento, com duas veterinárias voluntárias que visitam semanalmente o local. Segundo a advogada e presidente da entidade, Rosamaria Borges Vieira Feracin, cerca de 500 cães já ganharam um lar por meio da feirinha.

Foto: Gabriela Titon
Cães abandonados representam questão de saúde pública

Castração
Os entraves para a resolução do problema esbarram, especialmente, na falta de políticas públicas relacionadas ao assunto. O principal recurso para solucionar o elevado número de cachorros nas vias é a castração.
De acordo com Rosamaria, a Spag realiza a ação por meio de convênios com clínicas veterinárias. Entretanto, em pequenas proporções, já que seria necessário, segundo ela, entre R$ 300 mil e R$ 400 mil para que houvesse uma castração em massa. “Os órgãos públicos deveriam investir esse dinheiro, porque é uma questão de saúde pública, e não somente de proteção aos animais. Enquanto não tiver um programa de castração em massa, não vai diminuir”.
A clínica veterinária do campus Cedeteg da Unicentro é uma das parceiras que realizam o procedimento gratuitamente. Contudo, como o orçamento é limitado, o número também é escasso. O local atende, principalmente, cavalos machucados ou doentes encaminhados pela ONG.

Maus-tratos
Uma das vertentes de atuação da Spag é o combate aos maus-tratos. A instituição recebe denúncias e, em parceira com a Polícia Militar e a Prefeitura de Guarapuava, responsabiliza quem praticou a ação.
A lei federal 9.605, de 1998, conhecida como Lei dos Crimes Ambientais, discorre sobre questões relacionadas à fauna e à flora nacionais. O artigo 32 afirma que praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais é crime, sendo a pena detenção de três meses a um ano e multa.
Além de cães e gatos, os cavalos também sofrem cotidianamente com a situação. “Com os cavalos, é mais complicado, porque eles estão transitando e não dá tempo de chamar a polícia. Além disso, os donos não querem parar quando a gente aborda”.
Conforme Rosamaria, alguns proprietários já foram pegos em flagrante. Nesses casos, o animal é tomado e encaminhado para chácaras de voluntários. Após o processo criminal, os cavalos são doados. “O último que pegamos na rua estava tão fraco que caiu no chão. E depois não resistiu, acabou morrendo”.
Em alguns municípios, segundo ela, existem leis que proíbem carroças e, consequentemente, animais de tração. “Infelizmente, a população não tem cultura suficiente e educação para tratar de um cavalo. Por mais que a gente conscientize, os carroceiros reincidem. É muito caro para manter um animal de tração, e a pessoa muitas vezes mal tem condições para o sustento da família, como é que vai cuidar de um animal? A nossa intenção é proibir o tráfego, porque de outro modo os maus-tratos nunca vão acabar”.

Identificação
Este ano, um projeto de implantação de chips em cães está sendo desenvolvido, em parceria com a Prefeitura de Guarapuava. Desta forma, os aproximadamente 150 animais do canil municipal poderão ser rastreados após a adoção. O Chip Legal Canino foi lançado no final de setembro. O programa inicial foi criado em 2010, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente, mas destinava-se somente aos cavalos.
“Recebemos a doação particular de um leitor de chip e um notebook, e a prefeitura compra os microchips. Não sairá animal para a feira sem estar com o chip. A gente colhe os dados de quem adotou, coloca no sistema, e se o cachorro for encontrado na rua, vamos responsabilizar o dono”.
A entidade também está se mobilizando para criar uma lei que obrigue a implantação de chips nos demais bichos de estimação. Conforme explica Rosamaria, a medida é necessária para que seja mais fácil identificar e tomar as medidas necessárias caso um cão ou gato seja abandonado e/ou maltratado.

Conscientização
A presidente da Spag estima que apenas 20% dos animais encontrados nas ruas não tenham dono, o restante foi abandonado. Para conscientizar desde cedo sobre a responsabilidade de se ter um bichinho de estimação, outra atividade iniciada em 2011 são palestras de cunho educativo ministradas nas escolas.
A iniciativa pretende atingir todas as instituições de ensino de Guarapuava, tanto públicas quanto particulares. Para isso, precisa-se de voluntários, já que a sociedade protetora dispõe de material educativo necessário.
As conversas com os estudantes envolvem a noção de posse responsável, que significa cuidar adequadamente do animal adotado. Isso inclui, para um cão, levá-lo para passear diariamente, caso ele fique preso na residência; dar água e alimento suficiente; encaminhá-lo ao veterinário; fazer castração; não maltratá-lo e abandoná-lo, entre outras atitudes que demonstrem proteção.

Solidariedade
Para colaborar com a Spag, o contato pode ser feito por meio do telefone (42) 3035-6900 ou pelo e-mail spaguarapuava@yahoo.com.br. A conta poupança para realizar depósito é 217604-0, agência 0389, operação 013, na Caixa Econômica Federal. A instituição também possui um carnê mensal de R$ 10 para quem quiser contribuir. Além disso, o órgão precisa de voluntários, independente da área de atuação profissional. Atualmente, são cerca de 10 pessoas envolvidas ativa e diretamente nas ações da entidade.

Editado por Helena Krüger

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Eles não se cansam de fazer o bem


Yarê Protzek

Por conhecer a rotina dos pacientes do câncer, a Acopecc oferece diversos tipos de ajuda

O câncer é conhecido pelos seus tratamentos demorados e intensos. Uma doença onde há crescimento desordenado de células que entram nos tecidos e órgãos, também se disseminando em outras partes do corpo. Há diferentes tipos de câncer, sendo a cirurgia, a quimioterapia, a radioterapia e o transplante de medula óssea os tratamentos usados para a cura. Muitas vezes, estes são conciliados para a total recuperação do paciente.
Tratar de um câncer requer tempo e apoio dos familiares. Pensando nisso, em 2002 foi fundada a Acopecc (Associação do Centro-Oeste do Paraná de Estudos e Combate ao Câncer), com o intuito de ajudar todos aqueles que têm câncer e os familiares desses pacientes.
Mara Neves, presidente da Acopecc, fundou a entidade ao perceber que muitos pacientes de seu marido (que é oncologista) vinham para Guarapuava para fazer a quimioterapia e não tinham um local para ficar, tendo gastos com hospedagem, comida etc. Como muitos pacientes não possuem condições de ficar em um bom lugar e se alimentar bem, a ideia de criar a Acopecc se tornou mais forte.
A Acopecc é importante para assistência e tratamento dos pacientes com câncer na cidade

Além de ajudar com hospedagem e comida, outro ponto importante são as orientações que as pessoas que procuram a Acopecc recebem. Toda primeira quarta-feira do mês, às 14h, são realizadas reuniões com todos os beneficiados da entidade. Nessas reuniões, há a distribuição de cesta básica para a família, conversas e palestras que procuram informar e motivar os pacientes a continuarem na luta.
Outra ajuda importante são as visitas que os voluntários fazem para quem está no hospital ou em casa. A entidade também oferece psicólogas para conversarem com os pacientes, fato que auxilia muito no tratamento.
A professora Denise Ansbach é voluntária da entidade há dois meses. “Eu vim ajudar primeiro porque passei pelo câncer, então senti a necessidade de auxiliar, porque não sofri tanto, não tive aquele desespero, aquela angustia que dá de pensar 'nossa, cheguei ao final da linha'”.
Denise vai todas as segundas-feiras no bazar e levar chá aos pacientes do hospital. Durantes as visitas, ela conversa e conta a sua história com o câncer. “Eu senti essa necessidade de passar paras pessoas que a gente pode ter um problema sério, mas que você consegue ter uma vida normal”. Para ela, a conversa e troca de experiência é muito importante, já que “a pessoa fica mais sensível quando descobre que tem câncer; a gente fica mais carente, então é importante a preocupação dos outros com o paciente”.
O bazar em que a professora é voluntária é uma das formas de a Acopecc arrecadar dinheiro. A assistente social da entidade, Márcia Regina Gonçalves, comenta que eles recebem a doação de roupas e vendem por um preço acessível. O bazar funciona todos os dias no período da manhã e da tarde.
Márcia Regina Gonçalves também comenta que a maior necessidade de ajuda da Acopecc é com a obtenção dos remédios e de alimentos especiais como a sustagem. “Dependendo da situação da pessoa a gente ajuda com a cesta básica para a família. Além de tudo a atenção; muitos vem aqui para conversar e contar algo que aconteceu, desde um exame que teve bom resultado”.
A Acopecc ajuda mais de 60 pacientes e suas famílias em Guarapuava e mais de 40 pessoas de toda a região. De voluntários, há uma média de 20 divididos em equipe do chá, visitas no hospital, voluntárias do bazar, equipe de artesanato e os que ajudam em eventos. Além disso, há aqueles que contribuem mensalmente com dinheiro ou alimentos. “Toda ajuda é bem vinda, se quiser doar dinheiro, alimentos, leite, sustagem, roupas, tudo é bem vindo aqui na Acopecc”, comenta Márcia.
Todos os gastos da Acopecc são mantidos por meio de doações, participações em eventos e trabalhos voluntários. Para quem tem interesse em ajudar, é só entrar em contato pelo telefone (42) 3035-3921.

Editado por Helena Krüger

Instituto Dom Bosco: espaço de sonhos e esperança


Luciana Grande

Apesar de ser pouco conhecida na região, a entidade existe há mais de 20 anos e auxilia na transformação social dos participantes

O Instituto Dom Bosco de Guarapuava foi fundado no ano de 1989 pela rede Salesiana de Dom Bosco, sendo uma entidade não governamental sem fins lucrativos, destinada principalmente à comunidade carente e mantida por meio de doações. Desde o início, tem como principal objetivo acolher adolescentes e jovens do meio popular para tornar-se referência na transformação dos mesmos, já que auxilia no desenvolvimento humano dessas pessoas.
Segundo o atual diretor administrativo, padre Dácio Eliso Bona, uma das principais intenções com os projetos desenvolvidos pelo instituto é tornar os jovens auto-sustentáveis, ou seja, contribuir para o aprendizado a fim de capacitar os educandos a ingressarem no mercado de trabalho. Já para as crianças, a entidade funciona como um complemento para a escola, uma vez que elas podem participar no horário de contra-turno.
Embora o Instituto Dom Bosco esteja ligado a aspectos religiosos, padre Dácio afirma que isso não interfere nos projetos. “Todos no instituto iniciam as atividades com reflexões, sem beatice. Dessa forma, é possível ter mais força e visão para trabalhar com a juventude”.
O instituto oferece várias atividades e projetos educativos que auxiliam o crescimento humano e social dos indivíduos, o que reflete diretamente na comunidade. Um desses projetos é o curso de marcenaria, que existe há cerca de 20 anos e faz parte do programa Jovem Aprendiz do Senai. Segundo o professor e fundador da marcenaria, Szymundo Crochevicz, conhecido como Monti, o Instituto Dom Bosco oferece toda a estrutura necessária para que os alunos tenham um aprendizado eficiente. “O curso de marceneiro começou quando eu entrei aqui. Nós tínhamos um convênio com a Rede Salesiana de Dom Bosco na Alemanha e foram eles que fizeram a doação das máquinas e do prédio”.

As crianças podem participar da oficina de datilografia

Na maioria das vezes, os aprendizes levam os móveis que eles produzem para a própria casa, já que sentem orgulho do seu trabalho. Além disso, grande parte dos móveis do instituto são eles que fabricam. O objetivo do projeto não é comercializar os produtos a fim de obter lucros, mas capacitar os estudantes como profissionais para que eles possam se inserir no mercado de trabalho com mais facilidade.
Luiz Marcelo Batista, 20 anos, é um dos alunos que fazem parte da turma que se forma no final desse ano. Ele chegou até o Instituto Dom Bosco por indicação de alguns amigos que fizeram o curso de marceneiro e disseram ter gostado bastante. Apesar de hoje perceber que sua vida melhorou bastante, confessa que os primeiros meses foram difíceis. “No começo é complicado porque a gente não tem base de nada, é tudo novidade. Mas depois que pega o jeito tudo fica mais fácil e interessante”. Ele conta, também, que a família o incentiva muito e tem orgulho da profissão que conquistou.
Já Fábio Pereira, de 19 anos, conheceu o curso de marceneiro sem querer, já que veio de uma cidade pequena procurar emprego em Guarapuava e encontrou dificuldades. Então, quando estava quase desistindo, foi até o Senais e lá indicaram o Instituto Dom Bosco. “Em toda a minha vida eu nunca tinha pensando em trabalhar como marceneiro, mas aqui eu me descobri. É o que eu quero para toda a minha vida mesmo”. Fábio, que participa de outros projetos do instituto, conta que estar ali foi um salto enorme para ele. “Antes eu não tinha metas, expectativas para o futuro... Hoje eu tenho tudo isso”.
Ao conhecer esses jovens, é possível observar uma transformação não só do ponto de vista profissional, mas também sob a ótica da construção de valores e objetivos de vida. O educador Monti, mesmo trabalhando como marceneiro há quase 50 anos, explica que não apenas ensina, como também aprende muito com os seus alunos. “Uma vez um ex-aluno foi me visitar em época de férias, um rapaz que teve uma infância cheia de dificuldades sob vários aspectos. Naquele dia ele foi me contar que fundou uma empresa, contratou funcionários, comprou carros e disse que devia tudo isso ao Instituto Dom Bosco. Agradeceu por tudo de bom que nós trouxemos para a vida dele”.

Alguns educandos durante a oficina de violão

O presente e o futuro
Tais conceitos de transformação e crescimento estão presentes em todos os vários projetos da entidade. Atendendo a diferentes idades e com diversas atividades, os outros projetos são:
• Oficinas pedagógicas: voltadas para crianças de oito a 12 anos, incluem aulas de música, xadrez, jogos educativos, recreação, literatura, arte e informação educacional.
• Projeto despertar: incentiva a aprendizagem de jovens entre 12 a 17 anos, disponibilizando aulas de violão e espanhol.
• Projeto de incentivo à educação profissional juvenil: oferece aulas de datilografia, informática, serviços de escritório (preparação para o projeto jovem aprendiz) aos alunos de 13 a 17 anos.
• Projeto Jovem Aprendiz: aulas voltadas à preparação do jovem para inserir-se no mercado de trabalho. Nesse projeto são oferecidos os cursos de marcenaria e auxiliar administrativo.
• Programa de promoção ao protagonismo familiar: oferece cursos voltados para adultos. Dentro desse projeto, há o “Programa Buscando o Saber” (que possui cursos de panificação, informática e marcenaria) e pretende, futuramente, criar o “Projeto Mulher de Talento” (que proporcionará a oportunidade de mulheres participarem de um curso de corte e costura).
• Programa Construindo o Amanhã: tem o intuito de promover a reabilitação de jovens infratores por meio de medidas sócio educativas.
A entidade tem como meta oferecer novos cursos profissionalizantes e investir em outros projetos de captação de recursos. No entanto, em razão da falta de recursos financeiros, o instituto funciona abaixo de suas possibilidades, visto que, levando-se em conta o espaço disponível e a estrutura física do local, seria possível atender um número muito maior de pessoas - hoje, o Instituto Dom Bosco possui cerca de 350 educandos. Atualmente, a equipe tem buscado o apoio de pessoas físicas e jurídicas que possam contribuir com doações para melhorar as condições estruturais do local.

Como contribuir
Quem quiser ajudar, conhecer melhor o trabalho ou ser voluntário no IEDB, basta entrar em contato com a equipe.
Telefone: (42) 3624-2318 / (42) 3624-1050
Endereço: Rua Guaicuru, 763, Vila Carli, Guarapuava (PR)
Twitter: @iedb_guarapuava


A marcenaria tem todos os equipamentos necessários para um ensino eficiente

Editado por Helena Krüger